- Os traficantes entram em nossas casas porque encontram portas abertas.
E seduzem nossos filhos porque eles têm crescido fracos e sem qualquer
esperança.
Temos muitas dúvidas a respeito de quase todas as coisas que nos são
importantes. Mas também temos algumas certezas. Elas derivam da observação dos
fatos, especialmente daqueles que são indiscutíveis, que não deixam margem para
interpretações variadas. Uma dessas certezas tem a ver com o uso de drogas:
praticamente todas as pessoas viciadas começaram a usar algum tipo de droga nos
primeiros anos da adolescência, entre os 13 e os 17 anos de idade. Isto é
válido para o uso de drogas pesadas, mas igualmente acontece com a iniciação ao
uso do cigarro normal que, mesmo provocando poucos efeitos psicológicos, determina
forte inclinação para a dependência.
Outra certeza que temos é a necessidade urgente de compreendermos melhor o que
se passa na cabeça dos nossos jovens, para que possamos impedir que persista a
tendência atual, que é a do uso de drogas por um número cada vez maior de
pessoas, e que ela venha a envolver praticamente toda a juventude do nosso
país. Teremos que providenciar novas atitudes dos pais e da sociedade,
especialmente se isto puder ajudar nossas crianças a crescerem com mais força e
determinação pessoal.
Sim, porque é fácil colocar toda a culpa do problema das drogas nos traficantes
e outros delinqüentes que fazem fortuna com este comércio. A verdade é que eles
entram nas nossas casas porque encontram as portas abertas. E eles seduzem nossos
filhos porque eles têm crescido fracos e sem esperanças. E isto é nossa
responsabilidade. Isso é fruto da excessiva permissividade na educação que nós,
indo para o pólo oposto do pêndulo em relação ao modo como fomos criados, lhes
transmitimos. É hora de urgentes revisões na educação.
Além do mais, existem importantes características da adolescência que fazem com
que o jovem seja presa fácil de traficantes espertos. Uma delas é a peculiar
prepotência dos rapazes e moças, a tendência para acharem que sabem de tudo e
que podem tudo. Gostam da idéia de que ser adulto é ter coragem para
experimentar de tudo, de modo a formar juízo próprio sobre todas as coisas. O
conceito geral até que é interessante, mas não vale para todas as coisas. Não
tem o menor sentido testas pessoalmente o uso de drogas mais que conhecidas,
tanto em seus efeitos agradáveis como em seus malefícios e seu poder para
viciar. Mas a prepotência dos adolescentes não conhece o bom senso. Querem
apenas afirmar sua independência em relação aos adultos dos quais efetivamente
dependem.
Só faz uma verdadeira guerra de independência quem é dependente. A adolescência
sempre foi um período muito difícil para os jovens, pois eles têm que assumir,
mais ou menos rapidamente, crescentes responsabilidades e se encaminhar na
direção da autonomia. Isto é difícil e doloroso, pois uma parte de nós
preferiria não ter que crescer e passaria o resto da vida usufruindo aconchego
e proteção familiar. Esta parte tem sido muito estimulada pela educação
superprotetora, de modo que os esforços das crianças para desenvolverem o outro
lado, o da busca da individualidade, são mínimos. A adolescência exige uma
aceleração do passo nesta direção, isto por pressões externas que são opostas
às tendências que existiam até então.
O que acaba acontecendo é que os jovens se afastam da família e não suportam a
sensação de abandono. Não podem voltar atrás e só lhes resta uma solução:
substituir o aconchego familiar pelo do grupo de amigos da mesma idade. Desta
nova família tiram a força necessária para romper com aquela de onde vieram.
Tornam-se independentes de uma forma curiosa: têm que agir de algum modo em
oposição aos valores do seu grupo de origem. O grupo de jovens se une e se
torna solidário porque tem em comum comportamentos que desagradam aos mais
velhos. Tornam-se independentes dos seus pais, provocando uma guerra aberta
contra eles e contra seus valores. Estão prontos para agir de um jeito que os
aborreça, pois isto será sinal de independência – é como se a independência fosse
a dependência de cabeça para baixo! Estão prontos para se unir em grupos que
irão adorar usar roupas extravagantes e reprovadas pelas famílias, para fumar
cigarros e para experimentar outras drogas que lhes forem oferecidas. Um certo
número de jovens irá adorar os efeitos que elas provocam. E aí...
“As coisas precisam ser ditas”. Essa frase, de um personagem de um
filme, expressa como o silêncio o condenara a não viver plenamente o seu amor
por mais de 30 anos, por receio de declarar-se. Assim, se o silêncio pode calar
destinos, as palavras ditas na hora certa, sobretudo por pessoas amadas, podem
trazer soluções ou mesmo salvar vidas.
A palavra tornou-se valioso instrumento terapêutico, com respeitabilidade
científica, através da obra de Freud, que, ao desvelar a existência do
inconsciente, tornou o diálogo um veio profícuo de cura.
E em família, o diálogo é sempre fundamental, especialmente quando há filhos
adolescentes, ocasião em que os jovens costumam afastar-se dos pais.
A adolescência é um período no qual é freqüente o aumento nos confrontos entre
pais e filhos. É uma fase de emoções intensas, pois o jovem está buscando
consolidar a sua própria identidade. Esse processo manifesta-se pelo maior
envolvimento com o grupo de pares de sua idade e pode vir acompanhado de
afastamento de sua família. Essa distância dos pais pode expressar-se em forma
de rebeldia, sendo comuns as cenas de jovens trancados em seus quartos,
isolados em seu mundo, emudecidos ou intolerantes faces às perguntas dos pais.
E tudo isso acontece sem motivos aparentes para tal.
Diversos trabalhos científicos em várias partes do mundo demonstram que se
trata de um fenômeno global. São gerais os relatos que associam a adolescência
a uma época de questionamento, quando os filhos põem em cheque as regras, os
valores e as crenças familiares. Jovens irritados e questionadores podem gerar
uma muralha em relação aos pais.
É comum manifestarem ataques de raiva, apresentarem comportamentos sexuais
desafiadores ou agressivos. E nessa busca de afirmar a própria identidade,
correm riscos de influências externas que os conduzam a caminhos incertos,
rumos de ousadia e mesmo riscos para a saúde e a vida.
Atualmente, há também relatos de aumento de quadros depressivos em jovens, cujo
isolamento e tristeza podem conduzir em certos casos ao suicídio. Tais
situações próprias do relacionamento familiar na adolescência, encontram no esforço
do diálogo a sua maior força terapêutica.
Quem deve fazer o movimento da procura são os pais, que devem compreender,
tolerar, lembrar da própria rebeldia no passado. A experiência e a maturidade
devem falar mais alto e acionar a humildade da procura, da insistência pelas
palavras, de vencer a mágoa e retomar a relação. Não é fácil engolir seco,
domar a raiva, dominar o impulso do poder de ser pai/mãe, de saber-se
investindo no filho, em recursos financeiros, em afeto, em compreensão e
perceber-se rejeitado(a). Mas a tolerância, a paciência e o diálogo podem abrir
caminhos de reconquista e de novos encontros.
Famílias com fronteiras mais flexíveis permitem que o adolescente possa
transitar e experimentar-se livremente em diferentes territórios, aproximando-se
quando se sente inseguro e afastando-se para experienciar sua independência.
Nesse cenário, exigem-se esforços de todos os membros na busca de novos padrões
de convivência familiar, adaptados a este momento específico do ciclo vital da
família.
E a comunicação clara e direta é um dos recursos em que a família deve
investir, pois certamente pode favorecer a confiança e o afeto entre pais e
filhos, assegurando a compreensão e os laços necessários para uma adolescência
mais feliz.
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Sexualidade na
adolescência
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Por: Stella R. Taquette
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A sexualidade, uma das características mais importantes do ser humano,
está presente desde os primórdios da vida. O ser humano é movido por suas
pulsões libidinais direcionadas à busca do prazer e estas se manifestam muito
precocemente. Manifestações sexuais podem ser visualizadas em imagens
ultrassonográficas de fetos do sexo masculino, como por exemplo a ereção
peniana. Já as meninas desde os primeiros dias de vida apresentam
lubrificação vaginal. Estes comportamentos são uma demonstração da
potencialidade biológica para o desenvolvimento da sexualidade. Sensações
sexuais estão presentes durante todo o desenvolvimento da criança, desde a
amamentação até o início pubertário, quando então há uma intensificação
destas sensações. É com a chegada da puberdade, com o desenvolvimento físico,
que o ser humano se torna apto a concretizar a sexualidade plena através do
ato sexual propriamente dito, que permite tanto obter prazer erótico como
procriar.
O aumento do interesse sexual coincide com o surgimento dos caracteres
sexuais secundários. Este interesse é influenciado pelas profundas alterações
hormonais deste período da vida e pelo contexto psicossocial. O prazer
resultante do ato sexual diferencia o ser humano do restante dos animais. Ele
é o único ser que, objetivamente, pode ter relação sexual só pelo prazer e
não com finalidade reprodutiva (Levin, 1969; Dolto, 1977) e na adolescência
isso se torna evidente (Silber, 1985).
Apesar da sexualidade ser definida como um conjunto de fenômenos que
permeia todos os aspectos de nossa existência ela é vista inicialmente como
um fenômeno biológico. Porém, sabe-se que é também social e psicológico e só
pode ser compreendido quando situado no âmbito e nas regras da cultura em que
se vive. Em cada sociedade são diferentes as proibições e permissividades em
relação à atividade sexual. No processo de adaptação cultural do ser humano,
o controle da sexualidade é um dos aspectos centrais. Praticamente todas as
culturas impõem alguma forma de restrição ao comportamento sexual.
A complexidade e ambigüidade da sexualidade residem principalmente no
fato da reprodução não ser seu objetivo primordial. Historicamente podemos
observar que a sociedade humana se iniciou com uma proibição ao livre
exercício da sexualidade, o tabu do incesto (Lévy-Strauss apud Dor, 1989). A
religião também exerceu e ainda exerce grande influência no comportamento
sexual dos indivíduos. Segundo a interpretação da igreja católica sobre a
criação do mundo, Adão e Eva foram expulsos do paraíso porque se tornaram
sexuados. No paradigma monástico do início da era cristã, todas as pessoas
sexuadas eram consideradas pecadoras. Só os monges, que viviam isolados no
deserto eram puros. Porém, mais tarde, no século IV, outra interpretação foi
dada por Santo Agostinho, que acreditava que o castigo divino a Adão e Eva
deveu-se ao prazer resultante do ato sexual e não ao ato em si. A partir daí,
a concupiscência da carne, passou a ser considerada um pecado (Ariès &
Duby, 1995). Em outras culturas e em outras épocas da humanidade restrições
ao livre exercício da sexualidade foram impostas por motivos econômicos, como
por exemplo no desenvolvimento da sociedade capitalista o sexo foi reprimido
porque ser incompatível com o trabalho (Foucault, 1988).
Em nossa sociedade sexo ainda é um tabu e os problemas relativos à
sexualidade são muito freqüentes. Acompanhar desde cedo o processo de
desenvolvimento pode ajudar o adolescente a prevenir problemas futuros como
abuso sexual, gravidez não desejada, promiscuidade ou dificuldades sexuais
propriamente ditas como frigidez, impotência sexual, ejaculação precoce, etc.
Desenvolvimento Psicossexual
Freud, o “pai” da psicanálise, elaborou uma teoria sobre a
sexualidade, até hoje referida pela maioria dos autores. Ele classificou o
desenvolvimento sexual em cinco fases: oral, anal, fálica, latência e
genital, conforme a idade do indivíduo e a localização corporal da principal
fonte de sentimentos prazerosos.
Primeiro ano de vida
Nesta
etapa da vida, o bebê a princípio não se diferencia de sua mãe, sentindo-se
ligado a ela, como se ambos fossem uma só pessoa. Sua comunicação com o mundo
se dá principalmente através da boca, pela sucção e pelo choro. O bebê
sente-se bem quando suas necessidades orgânicas internas são saciadas através
da amamentação. Ele sente-se seguro e calmo também quando é acariciado e
aconchegado ao colo. Esta etapa foi denominada por Freud de “fase oral”, pois
a boca é a parte do corpo onde há primazia dos sentimentos prazerosos. Porém,
não é só a boca a detentora destes sentimentos prazerosos nesta fase. O bebê
também gosta e necessita ser acariciado em todo o seu corpo. Durante o
primeiro ano de vida o bebê descobre fortuitamente seus genitais e sente
prazer em tocá-los. É comum em serviços de saúde vermos os bebês manipularem
seus genitais assim que suas mães retiram-lhes a fralda para serem examinados
pelo médico. O hábito de chupar o dedo ou a chupeta, a necessidade de colocar
tudo na boca, quando já tem coordenação motora para isso, o desejo de morder,
tudo isso é representativo do prazer que o bebê sente na região oral.
Segundo ano de vida
Durante
o segundo ano de vida a criança se desliga parcialmente das necessidades
orais, passando a se concentrar em outras atividades recém adquiridas. Ela já
consegue andar e explorar melhor o ambiente em que vive. Nesta etapa muita
atenção é dada às regiões genitais, pois é nesta fase que se adquire o
controle esfincteriano. A partir dos 18 meses a criança já tem potencialmente
maturidade neurológica para conter os esfíncteres, quando está desperta. Com
o treinamento exercido pelos pais, a criança concentra grande parte de sua
energia na aprendizagem deste controle e fica atenta à manipulação de seu
corpo, quando é higienizada. Freud denominou esta etapa de “Fase anal”, por
observar o grande prazer que as crianças demonstravam na região anal. As
crianças freqüentemente brincam com a retenção de suas fezes e urina. Muitas
revelam o prazer que sentem na região anal retardando o ato de defecar até a
hora em que o bolo fecal acumulado produz violentas contrações musculares e
sua passagem pelo esfíncter anal causa grande excitação das mucosas. Freud
considera a retenção das massas fecais uma excitação masturbatória da zona
anal.
Terceiro ao sexto ano de vida
Esta etapa é muito marcante no desenvolvimento do ser humano. As crianças
descobrem de fato seus órgãos genitais e percebem as diferenças que existem
entre meninos e meninas. É também nesta fase que percebemos uma ligação afetiva
preferencial da criança com o genitor do sexo oposto. Ao descobrir os
genitais, a grande diferença entre os sexos observada pelas crianças é a
presença do pênis nos meninos e a sua falta nas meninas. Há evidências de que
as meninas pensam não ter pênis porque alguém lhes cortou ou que ele ainda
vai crescer. Elas se sentiriam inferiorizadas em função deste fato, mas há
teorias que sustentam que a verdadeira fonte deste sentimento de
inferioridade estaria na condição social da mulher, que simbolizaria na falta
do pênis seu sentimento de inferioridade.
Esta fase se caracteriza por uma grande curiosidade sexual. As
crianças adoram olhar as pessoas desnudas e também serem olhadas e se
manipularem. Ao descobrir os genitais, estes são explorados e manipulados. A
manipulação é prazerosa e com isso a criança tende a repeti-la outras vezes.
Freud denominou esta etapa da vida de “Fase fálica”, devido à primazia de as
sensações prazerosas estarem anatomicamente localizadas na região do “falus”
genital (Freud, 1958b).
As crianças nesta fase mostram preferência pelo genitor do sexo
oposto, muitas vezes até dizendo literalmente: “vou casar com o papai” ou
“minha mãe é minha namorada”, tentando excluir o outro genitor da relação
familiar, mesmo sabendo que gosta também do outro e até sentindo culpa por
querer expulsá-lo desta relação amorosa. A este “triângulo amoroso” Freud
denominou de “Complexo de Édipo”, baseado na peça homônima “Édipo rei”,
escrita na antigüidade por Sófocles. Esta peça ilustra a relação amorosa existente
entre pais e filhos, a quebra do tabu do incesto e sua repercussão no futuro
(Azoubel Neto, 1993). Freud define o Complexo de Édipo como um conjunto
organizado de desejos amorosos e hostis que a criança experimenta
relativamente a seus pais.
Ao descobrir a diferença entre os sexos no terceiro ano de vida, o
menino tende a se aproximar apaixonadamente de sua mãe, tentando excluir o
pai desta relação. Porém, provavelmente sente muita culpa por isso, pois o
pai também é amado e importante para ele. Segundo Freud, ele teme ser
castigado por desejar a exclusão do pai e perder seu pênis; ser castrado e se
tornar uma menina, que ele imagina ter sido castrada. A menina, quando
descobre que não tem pênis, demonstra sentimento de inferioridade. Tenta urinar
na mesma posição dos meninos e muitas vezes afirma ter preferido ser homem.
Depois de algum tempo entende que nunca vai ter um pênis, pois sua mãe jamais
teve um. A partir daí ela se aproxima do pai, que possui o que ela não tem.
No período edípico, as crianças enfrentam sentimentos e sensações de
atração sexual pelo genitor do sexo oposto, além do ciúme, culpa, medo e
hostilidade em relação ao genitor do mesmo sexo. O complexo também incluiria
a culpa associada a estes sentimentos. Porém é importante lembrar que todas
estas interpretações do comportamento das crianças em seu desenvolvimento são
dependentes da cultura em que vivemos. É impensável o conceito de um Édipo
sem uma cultura que o sustente. A determinante psicológica faz parte da
infra-estrutura de todo sistema social e a situação edípica e as relações
familiares representam o veículo e a vertente principal da formação do ser
social e de sua identidade.
Sétimo ano de vida à puberdade
Nesta
idade as crianças já estão na escola, iniciando seu aprendizado formal.
Grande parte da energia libidinal é deslocada para este aprendizado. Muitas
atividades novas surgem. A criança passa a conviver com muitas outras
crianças e sente muito prazer nestas atividades, desligando-se parcialmente
das questões relativas a seus genitais. Freud denominou este período de “Fase
de latência”, na qual parece não haver primazia de sentimentos prazerosos em
nenhuma parte anatômica do corpo.
O período de latência se iniciaria quando o complexo de Édipo entra em
declínio. Este declínio corresponderia à consciência da criança de que é
impossível realizar seu duplo desejo, amoroso e hostil, em relação aos pais.
Não podendo se livrar do “rival” (o genitor do mesmo sexo), a criança
procuraria se identificar com ele (Freud, 1958c). Neste período o pai e a mãe
tornariam-se modelos do papel masculino e feminino para filho e filha
respectivamente.
Ao se desligar um pouco de suas tensões sexuais, a criança passa a se
interessar pelo aprendizado da escola, que lhe possibilita a aquisição de
novos conhecimentos e diferentes conquistas. Esta fase termina com o início
da puberdade. A energia libidinal nesta fase de latência está mais voltada ao
ensino formal e à aquisição de novas habilidades.
Período pubertário
O início da puberdade, com o estímulo dos hormônios sexuais, propicia
uma intensificação das emoções sexuais. Com o desenvolvimento do corpo e dos
órgãos genitais, há um aumento do desejo sexual, que agora tem um órgão
sexual pronto para consumá-lo. A masturbação volta a ser freqüente, não mais
como uma atividade auto-erótica e sim com um fim sexual (Knobel, 1984). Ou
seja, na fase fálica as crianças se masturbam por sentir prazer neste ato. Na
fase pubertária, em que os órgãos genitais estão em desenvolvimento, os
adolescentes se masturbam pensando em alguém, imaginando um ato sexual. É
nesta fase que ocorre o início da atividade sexual genital propriamente, a
que Freud denominou “Fase genital”.
Características do
comportamento sexual na adolescência
O comportamento sexual de um indivíduo depende não só da etapa de
desenvolvimento em que se encontra, como do contexto familiar e social em que
vive. Na atualidade, a sociedade tem fornecido mensagens ambíguas aos jovens,
deixando dúvidas em relação à época mais adequada para o início das relações
sexuais. Ao mesmo tempo em que a atividade sexual na adolescência já é vista
como um fato natural, largamente divulgado pela mídia, que estimula a
aceitação social da gravidez fora do casamento, ainda se vêem a condenação
moral e religiosa ao sexo antes do matrimônio e atitudes machistas rejeitando
as mulheres não “virgens”. Este contexto dificulta o relacionamento entre as
moças, de quem são cobradas atitudes castas, e os rapazes, que têm de provar
sua masculinidade precocemente, com o início muitas vezes prematuro da
atividade sexual, por pressão social. Outro aspecto importante é a defasagem
existente entre a maturidade biológica, alcançada mais cedo, e a maturidade
psicológica e social que cada vez mais tarde se torna completa. Perante este quadro
os jovens se encontram perdidos, sem um parâmetro social claro de
comportamento sexual e com uma urgência biológica a ser satisfeita em idade
precoce.
Em relação à etapa do desenvolvimento, observam-se as seguintes
características do comportamento sexual adolescente:
Adolescência precoce (10 aos 14 anos)
Esta é
a fase da grande transformação biológica, em que o comportamento sexual
depende destas mudanças físicas. Os adolescentes ficam se comparando uns aos
outros e, como há uma grande variabilidade no desenvolvimento pubertário, os
que ainda não se desenvolveram se sentem inferiorizados e os que já têm um
corpo formado se angustiam com a nova postura que têm de assumir, sem ter
ainda maturidade. Eles se sentem envergonhados e já não trocam de roupa na frente
dos pais e irmãos. Têm dificuldade de conversar com adultos, principalmente
com os pais, devido ao recrudescimento do complexo de Édipo, característico
desta fase. O adolescente revive o triângulo edípico e teme a consumação do
incesto, pois tem sensação erótica em relação aos pais; por isso sente
dificuldade de contato físico com estes, em contraste com manifestações
carinhosas anteriores.
Nesta etapa a sexualidade ainda é indiferenciada e a masturbação é a
conduta sexual mais freqüente. As mudanças do corpo, neste período, são mais
rápidas do que a capacidade dos adolescentes de assimilarem cada nova imagem
que surge. Sintomas hipocondríacos e psicossomáticos são freqüentes, como:
bulemia, anorexia, cefaléias, alergias, depressão, etc.
Adolescência média (15-16 anos)
O relacionamento amoroso (namoro ou o “ficar” com alguém) geralmente se
inicia nesta fase. Já há uma aceitação maior das transformações físicas,
resultando em um corpo adulto com capacidade reprodutiva. As meninas tendem a
usar roupas que expõem seu corpo sedutoramente. No namoro as carícias são
progressivas até culminar com a relação sexual genital, que ocorre geralmente
nesta fase. A sexualidade contribui com a autoestima do jovem e faz parte da
formação da identidade do indivíduo. É durante a adolescência que se define e
se consolida a identidade sexual. Pode haver relacionamentos e fantasias
homossexuais que não implicam uma homossexualidade futura e sim uma
experimentação sexual.
Adolescência tardia (17 a 20 anos)
Nesta
etapa a identidade sexual já está definida e a maior estabilidade afetiva
favorece a busca de um objeto amoroso único. O namoro apaixonado é freqüente.
À medida em que há maior maturidade psicológica e social, o jovem evolui para
a independência econômica da família e para um relacionamento afetivo mais
duradouro.
Construção da Identidade sexual
Durante a adolescência é comum observarmos uma fase de
“homossexualidade”, em que as meninas convivem com suas amigas intimamente,
trocando confidências e os meninos buscam parceiros para brincadeiras e
vivências. É uma fase de experimentação sexual, que geralmente não influi na
identidade sexual adulta futura. A identidade sexual adulta se define e se
afirma durante todo o processo evolutivo pela identificação. Segundo Werebe (1979),
a orientação sexual de um indivíduo está mais ligada ao sexo que lhe foi
atribuído quando do nascimento e à atitude do ambiente do que ao sexo
gonádico propriamente dito.
Freud diz que é somente após a puberdade que o comportamento sexual assume sua
forma definitiva. A identidade sexual só é consolidada no final da
adolescência, com a passagem para a idade adulta (Aberastury et al., 1988).
Segundo a teoria psicanalítica, na infância existe uma “bissexualidade” que
vai sendo substituída pela identidade sexual masculina ou feminina à medida
que ocorrem as transformações biológicas do corpo e as condutas psicológicas
e sociais são apreendidas. A moda unissex mostra claramente a ambivalência da
definição sexual na adolescência. Através da roupa e do cabelo pode-se ver
como o jovem expressa seus conflitos de identificação sexual. Portanto é
normal que na adolescência apareçam períodos de predomínio de aspectos
femininos no menino e masculinos na menina. A posição heterossexual adulta
exige um processo de flutuação e aprendizagem de ambos os papéis. As
experiências homossexuais ocasionais entre adolescentes não podem ser
consideradas patológicas, pois é um processo de angústia da definição sexual.
Abuso sexual
Ter a noção de que o sentimento sexual existe e está presente em todas
as etapas da vida é um dado importante que se deve ter em mente para se
prevenir o abuso sexual, freqüente em nosso meio. As crianças e adolescentes
são vulneráveis a abusos sexuais e às vezes se submetem porque têm prazer em
serem acariciados e manipulados. Os jovens têm uma necessidade especial de
relacionamentos próximos. Se esta necessidade não é preenchida, eles podem
procurar outros meios de satisfazê-la e acabar submetidos a abusos sexuais,
sendo que na realidade estão em busca de carinho e afeto. Outro aspecto
importante a ser ressaltado é que durante a adolescência há uma reativação do
complexo de Édipo, que agora pode ser concretizado de fato, pois já há
maturidade biológica para isso. E, além do desejo que os filhos sentem pelos
pais, também há o desejo dos pais pelos filhos, que estão no auge de sua
beleza e potência físicas. Conseqüentemente o abuso sexual ocorre com mais
freqüência dentro da própria casa do adolescente, e este se sente sem
condições de buscar ajuda para se livrar desta situação em que tantos
sentimentos contraditórios estão envolvidos.
Pais e adolescentes devem ser orientados para que estes não se
exponham a situações em que o abuso sexual possa ocorrer - por exemplo, ficar
a sós com adolescentes ou adultos sem a proteção de pessoas de confiança - ,
proteger-se de ambientes promíscuos e procurar ajuda nos casos em que houver
abuso ou suspeita de abuso. É importante também orientá-los sobre aspectos de
seu desenvolvimento, respondendo suas dúvidas a respeito de sexo,
conscientizando-os da presença intensa dos sentimentos sexuais em todos os
seres humanos.
Abordagem da sexualidade
Como é durante a adolescência que o desenvolvimento sexual adquire a
sua plenitude, permitindo a procriação, é fundamental que este tema seja
privilegiado pela equipe de saúde que atende o adolescente. Quando um/uma
adolescente procura um serviço de saúde, por qualquer motivo, é uma grande
oportunidade para que se possa orientá-lo(la) sobre questões sexuais e
identificar se há algum problema nesta área. É importante também chamar a
atenção que lidar com questões relativas à sexualidade dos pacientes é também
mobilizar sentimentos e experiências do próprio profissional envolvido.
Um adolescente pode procurar um serviço de saúde para esclarecer
dúvidas em relação a seu corpo ou ao funcionamento de seus órgãos genitais.
Porém ele também pode procurar este serviço com queixas somáticas ou
dificuldades de relacionamento em algum ambiente social que tem como pano de
fundo um problema de natureza sexual. Portanto, em qualquer atendimento de um
adolescente em um serviço de saúde a questão da sexualidade deve ser
abordada.
Em primeiro lugar precisamos identificar em que fase do
desenvolvimento puberal o/a adolescente se encontra, pois, como já foi
descrito acima, existem preocupações características das diversas fases da
adolescência. Em seguida é importante perguntar sobre as experiências sexuais
que o/a adolescente já teve. Para não invadir ou ferir a timidez de alguns
adolescentes e se obter respostas sinceras, deve-se primeiro falar de
assuntos neutros. Perguntar genericamente sobre a escola, atividades nas
horas de lazer, sobre amigos. Depois perguntar sua opinião sobre namoro,
orientação sexual recebida em casa, etc. A partir daí já se tem um quadro
desenhado sobre o adolescente e pode-se ir direto ao assunto, perguntando-lhe
como se sente em relação ao sexo, quais as experiências que já teve,
prazerosas ou não, traumáticas ou não e que conseqüências ele acha que isso
teve para sua vida.
A orientação a ser dada pelo profissional de saúde não pode ser
preconceituosa e nem carregada de códigos morais ou religiosos. Devem ser
utilizadas de preferência terminologias próprias e não gírias. É necessário
orientar o adolescente e sua família sobre as transformações que ocorrem em
seu corpo, sobre as sensações sexuais, o caráter normal da masturbação, da
curiosidade sexual, do tamanho dos órgãos genitais e sobre o ato sexual
propriamente dito e suas conseqüências. Enfatizar que o ato sexual envolve duas
pessoas, é de caráter íntimo e privado e que ambas têm que estar de acordo
com o que está sendo feito e, portanto, prontas para assumir as
responsabilidades advindas deste. No caso de adolescentes que já tenham
atividade sexual genital, ou estejam prestes a iniciá-la, estes devem ser
orientados quanto à anticoncepção e prevenção de doenças sexualmente
transmissíveis.
O profissional de saúde deve estar aberto e disponível a responder
perguntas que o adolescente ou sua família possam ter. É importante também
ser continente às angústias por que passam nessa etapa da vida.
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Ser pai ou mãe em nossa cultura atual é uma tarefa nada fácil.
Primeiro porque é necessário assumir, diante de tantos outros, um caminho pelo
qual deve-se pontuar a autoridade e as decisões tomadas com relação aos filhos.
Depois, porque a desgastada comparação com o passado já era. Os caminhos são
outros, os educadores são outros, os adolescentes são outros.
Neste
panorama e nesta fase da vida, o namoro atinge níveis de
comportamentos que preocupam muito os pais e os educadores. Algo que deveria
ser natural, belo, prazeroso e educativo, passa a ser um drama quando encarado
como proibido para a idade ou como uma caixa de surpresas: companhias, sexo,
gravidez e doenças.
ETAPA NECESSÁRIA
O namoro é uma etapa importante e
necessária no desenvolvimento do ser humano. E é na adolescência que se inicia
esta atração pelo sexo oposto, acompanhado por tudo aquilo que já apresentamos
em artigos anteriores: mudanças físicas, psicológicas e sociais. “Namorar
é uma coisa boa”, afirma a psicóloga clínica Helena Dagnino,
pois a paixão experimentada pelos namorados produz energia e entusiasmo pela
vida, contribuindo, inclusive, para a formação da personalidade. A
possibilidade de dar e receber amor alimenta a auto-estima, conduzindo os
jovens ao equilíbrio emocional.
Além de ser
benéfica para o
amadurecimento do adolescente, a paixão é saudável também para o corpo,
conforme a manchete do artigo publicado pelo Correio Riograndense, em
09/06/2004: “Namorar faz bem ao coração e a outros órgãos do corpo, como também
ao sistema nervoso e ao equilíbrio...”. Como vemos, há muitas
coisas boas no namoro. E qual pai ou mãe não se lembra de como foram boas suas
primeiras paqueras?
ESTÁ NA HORA?
É freqüente ouvirmos pais dizerem
a seus filhos, principalmente às meninas: “Não está na hora ainda de namorar,
primeiro os estudos!”. Contudo, no ambiente escolar, no grupo de amigos ou até
mesmo no convívio com os amigos de catequese da crisma, o papo é outro. E se
forem proibidos, se encontrarão escondidos. Para a especialista na área,
Terezinha Cruz, do Comitê de Adolescência da Sociedade de Pediatria do Estado
do Rio de Janeiro (Soperj), o namoro é “um momento de experimentação, de
treino, durante o qual o adolescente passa da fase da infância, quando recebe
passivamente o afeto, à fase adulta do envolvimento afetivo-sexual. Idade exata
para se iniciar um relacionamento não existe. O ideal é que, no próprio
contexto familiar, se aprenda a respeitar o outro, a tolerar as diferenças, a
valorizar a vida e as pessoas”.
FICAR
O que pode tornar-se um “inferno”
para a família, quando um filho ou uma filha de 13 anos diz que está saindo com
alguém, poderia ser menos conflituoso se antes tivessem buscado esclarecer o
que é namoro e o que é ficar. A compreensão de namoro, para os pais que foram
adolescentes na década de 70 e 80, foi bem diferente da dos seus filhos que
nasceram na década seguinte e que encaram com um novo jeito suas relações
afetivas.
Deles,
ouve-se freqüentemente a expressão: “Eu fiquei com...”.
Eles definem ficar como uma troca
de carinhos por um período curto, sem compromisso de namoro, sem o compromisso
do dia seguinte. O adolescente, ao ficar, exercita sua descoberta da
sexualidade: seu corpo, sua personalidade, sua autoestima, o outro, o prazer.
Já o namoro pressupõe a exigência de permanência, de mais consistência na
relação, de maior envolvimento e, porque não, de maturidade.
FICAR OU NAMORAR
Que bom
seria se tivéssemos uma resposta à pergunta: “É melhor que meus filhos namorem ou
fiquem?”. O ficar é um comportamento atual. Não se sabe com exatidão o que será
amanhã, já que é característica dos adolescentes mudarem facilmente e, se
enchendo desse relacionamento superficial, voltem, daqui há algum tempo, a
namorar com mais seriedade e compromisso.
Particularmente, conhecendo os
adolescentes, acho isso um tanto difícil, já que o ficar é próprio dos
adolescentes que ainda estão centrados em si e têm uma forte necessidade de se
auto-afirmar. É mais fácil entender uma adolescente que hoje sai com um garoto,
mas já pensando em convidar outro para ir ao cinema, só porque é mais bonito,
do que uma jovem de 20 anos.
SEXO
Com certeza e com razão, o que
mais preocupa os pais no namoro ou no ficar dos seus filhos adolescentes é o
ato sexual. Ficar com um hoje e outro amanhã significa transar também? Em
se tratando de vida sexual, há uma divergência nesta fase. Não
podemos afirmar que adolescentes de 11 a 15 anos têm a relação sexual como algo
necessário nestes relacionamentos. Isso pode até ser diferente, dependendo do
contexto social e familiar, mas na sua maioria é assim.
Diferente quando se trata de
adolescentes acima dos 15 anos, quando seus corpos já são mais formados, a
mentalidade mais juvenil e já alcançaram um pouco mais de independência. Este
conhecimento nos
ajuda a entender e trabalhar melhor com os adolescentes, pois, muitas vezes,
travamos uma guerra enorme com a filha de 13 anos que está querendo ficar com o
menino da escola e da mesma idade, com medo de que ela inicie cedo a vida
sexual, quando ela nada mais quer do que trocar carinhos, mostrar a si e aos
outros que é capaz, bonita e faz parte do grupo dos que ficam.
SOMOS CRISTÃOS
Imagino
vocês se perguntando: “Mas que
artigo mais liberal!”. Não posso negar que ele passe mesmo essa impressão. Mas
precisamos tratar este assunto e os demais ligados a sexualidade com mais
naturalidade, deixando de lado certos preconceitos que só podem atrapalhar o
desenrolar da vivência e de uma sadia formação dos adolescentes. O
adolescente, através das propagandas, revistas, novelas, filmes
e até dos adultos mal resolvidos, absorve hoje uma enxurrada de convites para
colocar o ato sexual nos seus relacionamentos.
Contudo, mesmo numa situação
dessa, nós, pais e educadores cristãos, podemos dar sentido à paquera dos
nossos filhos, sem privá-los do prazer de se conhecerem, orientando-os ao
respeito de si próprio e do outro. Esta orientação deverá começar primeiramente pelo
exemplo dos pais que verdadeiramente se amam e com diálogos sinceros, sem
moralismos que só podem mostrar nossa insegurança frente a esta fase da vida. E
fiquem tranqüilos, pois como diz a médica Terezinha Cruz: “Com a
maturidade, as escolhas devem tornar-se mais profundas, como também a
afetividade e o respeito pelo outro são levados mais em conta do que os
aspectos físicos”.
DINÂMICA
Caso queiram trabalhar este tema
com os adolescentes, os pais ou os educadores poder ão preparar uma encenação
que ajude a refletir a problemática do namoro entre adolescentes, e que
permita, em seguida, uma reflex ão em grupo.
Promoção de
Segurança da Criança e do Adolescente Frente à
Mídia (TV,
Internet)
Ulysses Doria
Filho
Desde há algumas
décadas identificou-se a extraordinária influência da mídia na
vida de todos
nós e, principalmente, na das crianças e adolescentes. Inicialmente
o problema
relacionava-se, principalmente, à televisão, mas, com o advento da
Internet,
esta passou também a ocupar um lugar de destaque como veículo
formador de
opiniões. A cultura vigente é a do consumo, extremamente fútil, na
qual valores
realmente importantes inexistem e com a fantasia triunfando sobre a
realidade.
As crianças
representam parcela expressiva do consumo familiar, o que explica a
saturação de
imagens e publicidade dirigida especificamente ao mundo infantil.
Novos heróis,
num mundo de sonhos, promovem a necessidade de consumir
roupas,
brinquedos, jogos e grifes, ao mesmo tempo em que veiculam mensagens
as mais
diversas. Em programas chamados de infantis são apresentados temas
vulgares,
alguns com forte apelo sexual e até mesmo concursos, onde crianças se
esforçam para
realizar coreografias erotizadas, são
freqüentemente promovidos.
Para se ter
uma idéia do poder de influência destes programas basta observar o
modo como as
crianças de hoje dançam e se vestem, não causando espanto a
disseminação
de bonecas, botas, kits de beleza, sandálias etc.
Na pesquisa
de Jo Groebel (Dep. de Psicologia da Mídia da Universidade de
Utrecht)
foram entrevistadas 5.000 crianças de 12 anos, em 23 países, inclusive o
Brasil, ficou
evidenciado o papel da mídia – principalmente da televisão, no
desenvolvimento
de uma sociedade cada vez mais violenta.
Nos países
pesquisados cerca de 80% das crianças têm acesso a um aparelho de
TV e passam
50% mais tempo vendo TV do que fazendo qualquer outra atividade
fora da
escola como leitura, dever de casa ou esportes.
O herói de
"O Exterminador do Futuro" é o ídolo de 88% das crianças avaliadas e
50% delas
gostariam de um dia serem como ele.
Todo ser
humano procura um modelo de comportamento para se espelhar e a
enxurrada de
violência que penetra os lares através da mídia ocorre justamente
num momento
em que a criança está em busca deste referencial e no qual mais
de 40% delas
ainda não consegue diferenciar a realidade do que vê na tela. Em
cada hora de
programa exibido na televisão há entre 5 e 10 ações violentas – nem
os desenhos
animados são poupados - o que faz com
que um jovem aos 20 anos
de idade já
tenha presenciado cerca de 25.000 mortes violentas e 200.000 atos de
violência.A
televisão é a maior fonte de informação e entretenimento da maioria das
crianças em
muitos países e o conteúdo de sua
apresentação a todos atinge ao
denegrir
valores morais e éticos, ao banalizar a violência e o sexo.
O que os pais
podem fazer a respeito?
• Limitar o
tempo para ver televisão a uma ou duas horas por dia. Antes de a
criança ir
assistir aos seus programas ela já deve ter concluído os seus afazeres
escolares e
deveres outros.
• Ajudar seus
filhos a encontrar alternativas sadias para fazer ao invés de ficar
vendo
televisão durante horas e horas, como esportes, "hobbies" e atividades
familiares em
grupo.
• Escolher
antecipadamente os programas adequados, fazendo um esquema a ser
seguido
durante a semana.
• Conhecer os
programas que seus filhos vêem. Quando eles mostram cenas de
sexo, álcool
e abuso de outras drogas ou violência, ajude-os a compreender o que
estão vendo,
mostrando toda a extensão do problema –
por exemplo, explicando
as
dificuldades que uma família irá passar quando algum de seus membros é
afetado.
• Impedir que
aparelhos de televisão sejam instalados nos quartos das crianças
propiciando
maior tempo para sua utilização e onde é muito mais difícil controlar o
que está
sendo visto.
• Manter
livros, revistas e jogos de tabuleiro na saleta de TV.
• Ser um
exemplo vivo do que deseja ensinar, isto é, lendo livros, praticando
esportes,
fazendo passeios com os filhos, ao invés de passar o fim-de-semana
vendo
televisão.
Com a
disponibilização em massa do acesso à Internet o problema em relação à
mídia se
agrava.
Todos os dias
milhares de crianças e adolescentes surfam pela World Wide Web e
a cada um
cabe escolher aquilo que deseja ler, ver ou ouvir, não se controlando e
nem é
possível fazê-lo, a qualidade de tudo que é publicado.
As crianças
podem desfrutar de grandes benefícios ao usar a rede como uma rica
ferramenta
educacional e também de lazer sadio, mas são justamente elas, por
serem
crédulas e curiosas, as presas mais fáceis de criminosos e exploradores de
toda sorte.
Os adolescentes, entretanto, muito mais que as crianças menores, constituem um
grupo de
risco particularmente importante visto estarem expostos a discussões
"online",
onde buscam relacionamentos e atividade sexual, além de terem uma
supervisão
muito mais difícil. A falsa sensação de segurança que o anonimato
propicia faz
com que os diálogos freqüentemente se tornem mais pessoais e
íntimos do
que se tornariam numa conversa face a face com um estranho.
O fato de que
centenas de crimes têm sido cometidos "online" não constitui razão
suficiente
para impedir o acesso de crianças à rede
- elas irão usar e muito as
suas
habilidades no computador em todas atividades do futuro -, parecendo ser
uma
estratégia muito mais interessante e eficaz instrui-las quanto aos benefícios e
perigos que o
"cyberspace" oferece, do mesmo modo que se ensinam medidas de
segurança
para aquela que vai à escola ou simplesmente brincar na rua.
A facilidade
de acesso à rede tem aumentado rapidamente sendo muito grande o
número de
provedores, entre os quais as companhias telefônicas e de TV a cabo
se incluem.
Mesmo que uma família não tenha computador em casa, suas
crianças
terão oportunidade de acessar a Internet na escola ou na casa do
vizinho. O
acesso é até mesmo gratuito nos dias de hoje, permitindo antever a
enxurrada de
informação não solicitada que estará por vir, atendendo
exclusivamente
a interesses econômicos, independentemente do mal que possam
causar.
Brevemente ao se comprar um aparelho de televisão, ele já virá com o
acesso à
Internet incorporado.
Os principais
riscos a que as crianças estão expostas ao surfar pela Internet são:
• Exposição a
material inapropriado: sexual – milhares
de fotos, vídeos mostrando
toda sorte de
perversões-, violento, odioso, que encoraje atividades perigosas ou
ilegais,
ideológicos, vulgares etc.
• Agressões
físicas: a criança pode passar informações "online" que coloquem em
risco a sua
segurança assim como a de sua família, por exemplo, fornecendo
dados
pessoais como seu nome, colégio onde estuda, endereço, profissão dos
pais,
características de sua casa, marcando encontros etc.
• Legais e
financeiros: há também a possibilidade de cometer crimes como realizar
compras - de
passagens, bens de consumo etc - com o cartão de crédito de outra
pessoa, movimentar
aplicações e contas bancárias, participar de leilões, jogar em
cassinos
virtuais, invadir sites sem permissão etc.
•
Oportunidade de experimentar jogos extremamente violentos e inclusive de fazer
"download"
de versões para demonstração.
• Exposição a
uma comunidade praticamente infinita, incontrolável: embora a
maioria das
pessoas navegando pela WWW seja bem intencionada, muitos não o
são, podendo
tratar-se de ladrões, assassinos, pedófilos, traficantes e usuários de drogas,
membros de seitas e ordens diversas, de "gangs", que exploram a
violência, o
sexo, o jogo, as drogas e os vícios em geral.
É importante
conhecer a atividade dos pedófilos no Brasil e na rede: trata-se de
homens e
mulheres, pertencentes a todas as camadas sociais, que colecionam
materiais
pornográficos - vídeos, fotos, revistas etc
- produzido com crianças e os
utilizam para
ajudar na sedução de suas vítimas, fazendo-as crer que o que está
sendo
proposto é aceitável; sempre trabalham discretamente e muitos exercem
atividades
que os colocam naturalmente dentro do mundo infantil.
Crianças na
mais tenra idade têm sido envolvidas e até mesmo o estupro de
crianças ao
vivo já foi transmitido pela Internet. O assunto é muito importante e
tem
despertado interesse em todo mundo.
Concernente
aos jogos violentos, desde há alguns anos são conhecidos os seus
efeitos
nocivos, existindo algumas centenas de
trabalhos comprovando o fato. A
técnica neles
empregada é a mesma usada para treinamento de soldados. Ela faz
com que o
jogador torne automática a sua resposta violenta, com pouca
participação
cerebral.
A mera
leitura destes itens pode levar os pais a proibir que seus filhos usem a
Internet,
entretanto, estes riscos estão presentes no dia-a-dia de todos, dentro ou
fora dela e,
nem por isso, o mundo acabou, existindo porém uma grande
diferença,
este novo universo está agora ao alcance de todos, ele foi trazido para
o interior
dos lares.
Se for
verdade que as crianças aprendem o que vivem, cabe a atual geração se
perguntar em
relação aos seus filhos - se eles vivem
continuamente a violência, o
que estarão
aprendendo?
Os pais devem
estar atentos a alguns sinais de alarme que podem sugerir o uso
indevido da
Internet:
• Uso
excessivo, especialmente em altas horas da noite;
• Uso de chat
- salas de conversação - sem moderadores e sobre temas obscuros.
Estas salas
de conferência oferecem grande perigo por expor a criança a trocas
não desejadas
e imprevisíveis;
•
Download - baixa para o computador - de grande quantidade de arquivos de
figuras,
provavelmente, pornográficas;
• Encontros
com pessoas estranhas sem uma explicação razoável.Outras evidências podem levar
à suspeita de que uma criança ou adolescente
possa estar
sofrendo alguma forma de abuso, aqui entendido como qualquer
forma de
maltrato físico, emocional ou sexual - como o aparecimento de:
•
Agressividade excessiva;
• Marcas de
chupadas e mordidas auto-infligidas;
• Compulsões,
fobias e crises "histéricas".
• Distúrbios
de fala e de sono;
• Sentimentos
negativos em relação a si próprio;
• Faltas à
escola;
• Comportamento
destrutivo;
• Dificuldade
em permanecer sozinho em companhia de algumas pessoas;
• Mudanças
súbitas de personalidade;
• Utilização
de termos pouco usuais ou novos nomes para partes do corpo.
• Queda
abrupta de rendimento escolar;
Lembrar que
alguns destes sinais e sintomas ocorrem em outras situações como
em usuários
de drogas, por exemplo.
O que os pais
podem fazer:
• Ensinar aos
seus filhos os riscos que eles correm usando a Internet, ao marcar
encontros com
desconhecidos, ao fornecer informações pessoais, ao freqüentar
salas de
conversação etc.
• Navegar
juntamente com eles, orientando-os sobre aquilo que está acontecendo
e para isso é
necessário que se interessar pela Internet e parar de achar que ela é
coisa para a
nova geração;
• Manter o computador
em uma sala de uso comum da casa, limitando o tempo de
sua
utilização;
• Controlar o
tempo que seus filhos passam online;
• Verificar
por onde seus filhos têm passeado quando estão sozinhos, o que pode
ser feito
consultando o histórico de acessos. • Escolher um provedor que ofereça recursos
para bloquear áreas não desejadas;
• Conhecer e
instalar softwares que permitem controlar e limitar o acesso a sites
inconvenientes.
• Considerar
compartilhar o seu e-mail com seus filhos;
Regras
básicas para os filhos:
• Nunca
fornecer a sua senha para outras pessoas conhecidas ou não;
• Jamais
revelar informações pessoais como seu nome, onde você mora ou os
nomes de seus
pais e irmãos, o número do seu telefone e qual é sua escola;
• Jamais
enviar fotografias suas ou de sua família a desconhecidos através da
Internet;
• Não dar
prosseguimento a conversas que o façam sentir-se desconfortável ou
que se
tornaram demasiadamente pessoais. Informe seus pais se isto ocorrer;
• Informe-os
também se receber comunicações ameaçadoras ou com linguajar
baixo;
• Nunca
concordar em se encontrar com alguém que você conheceu através da
Internet sem
o conhecimento de seus pais.
• Não aceitar
produtos ou oportunidades oferecidos através da Internet.
• Nunca
preencher cadastros online -
questionários com informações pessoais -
sem a
aprovação de seus pais;
• Lembrar-se
de que as pessoas na Internet podem ser qualquer um, em qualquer
lugar e que
nem sempre são o que e quem dizem ser;
• Cuide de
você e de sua família.
# sugere-se
imprimir estas regras e afixá-las ao computador, para que a todo
momento sejam
lembradas.
Bullying
Um dos grandes equívocos de nossa sociedade está em acreditar que basta
ser criança para ser uma pessoa boazinha. Costumava causar impacto ao afirmar,
politicamente incorreto, que as crianças são naturalmente más (parodiando
Hobbes e seu Estado Natural). São elas que agridem os menores, pisam em
formiguinhas, tocam fogo no rabo do gato, são egoístas ao extremo, querem tudo
para elas próprias, judiam dos mais fracos e participam do fenômeno conhecido
por Bullying. De fato, isso não é ser bonzinho (veja
Violência e Agressão da Criança e Adolescente).
O termo Bullying, que não existe na língua
portuguesa. Ele significa formas de agressões intencionais repetidas por
estudantes, que causam angústia ou humilhação a outro. Compreende, pois, todas
as formas de atitudes agressivas, intencionais e repetidas, que ocorrem sem
motivações evidentes, adotadas por um ou mais estudantes contra outro(s),
causando dor e angústia, e executadas dentro de uma relação desigual de poder.
O Bullying se encontra presente, possivelmente, em
variadíssimas situações, tais como, colocar apelidos, ofender, zoar, gozar,
sacanear, humilhar, discriminar, excluir, isolar, ignorar, intimidar,
perseguir, assediar, aterrorizar, amedrontar, tiranizar, dominar, agredir,
bater, chutar, empurrar, ferir, roubar, quebrar pertences, etc.
Segundo artigo de Aramis Antônio Lopes Neto e Lauro Monteiro Filho o Bullying pode
se manifestar de quatro formas diferentes: verbal, físico, psicológico e
sexual. Referem pesquisas onde a maioria dos alunos vitimados por Bullying destaca
como a situação mais freqüente a identificação por apelido com maldade e com
propósitos de humilhação, seguido do roubo de pertences (39%), a indução ao uso
de drogas (30%) e os ataques violentos (25%).
Normalmente existem três tipos de pessoas envolvidas nessa situação de
violência: oexpectador, a vítima e o agressor. O expectador é
aquele que presencia as situações de Bullying e não
interfere. Sua omissão deve-se por duas razões principais: por tornar-se
inseguro e temeroso e por isso sentir medo de sofrer represálias ou, ao
contrário, por estar sentindo prazer com o sofrimento da vítima e
não tem coragem de assumir a identidade de agressor. Os expectadores do
primeiro tipo (os mais medrosos), apesar de não sofrerem as agressões
diretamente, podem se sentir incomodados com a situação e com a incapacidade de
agirem.
A vítima, por outro lado, costuma ser a pessoa mais frágil,
com algum traço ligeiramente destoante do modelinho culturalmente imposto ao
grupo etário em questão, traço este que pode ser físico (uso de óculos, alguma
deficiência, não ser tão bonitinho...) ou emocional, como é o caso da timidez,
do retraimento...
Vítima costuma ser uma pessoa que não dispõe de habilidades físicas e
emocionais para reagir, tem um forte sentimento de insegurança e um retraimento
social suficiente para impedí-la de solicitar ajuda. Normalmente é uma pessoa
retraída e com dificuldades para novas amizades ou para se adequar ao grupo. A vítima é
freqüentemente ameaçada, intimidada, isolada, ofendida, discriminada, agredida,
recebe apelidos e provocações, tem os objetos pessoais furtados ou quebrados.
No ambiente familiar avítima apresenta sinais de evitação, medo ou
receio de ir para escola, mas, não obstante, como dissemos, não procura ajuda
dos familiares, professores ou funcionários da escola.
Tudo isso acaba fazendo com que a vítima troque de
escola freqüentemente, ou pior, que abandone os estudos. Nos casos mais graves
a vítima contumaz acaba desenvolvendo uma severa depressão,
podendo chegar a tentar ou cometer o suicídio.
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Os agressores no Bullying são,
comumente, pessoas antipáticas, arrogantes e desagradáveis. Alguns trabalhos
sugerem que essas pessoas vêm de famílias pouco estruturadas, com pobre
relacionamento afetivo entre seus membros, são debilmente supervisionados
pelos pais e vivem em ambientes onde o modelo para solucionar problemas
recomenda o uso de comportamento agressivo ou explosivo.
|
|
Há fortes suspeitas de que as crianças ou jovens que praticam o Bullying têm
grande probabilidade de se tornarem adultos com comportamentos anti-sociais,
psicopáticos e/ou violentos, tornando-se, inclusive, delinqüentes ou
criminosos. Normalmente o agressor acha que todos devem atender seus desejos de
imediato e demonstra dificuldade de colocar-se no lugar do outro.
O Bullying é um problema mundial, é um problema
do ser humano imaturo, logo, deve acompanhar a humanidade desde a pré-história.
É um fenômeno encontrado em toda e qualquer escola, não estando restrito a
nenhum tipo específico de instituição: primária ou secundária, pública ou
privada, rural ou urbana, em qualquer país.
|
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Os meninos estão mais envolvidos com o Bullying com
uma freqüência muito maior, tanto como autores quanto como alvos. Já entre as
meninas, embora com menor freqüência, o Bullying também
ocorre e se caracteriza, principalmente, como prática de exclusão ou
difamação
|
De acordo com Rosana Del Picchia de Araújo Nogueira e Kátia A Kühn
Chedid (veja), o conceito de Bullying pode também ser
aplicado na relação de pais e filhos e entre professor e aluno, citando como
exemplos, aqueles adultos que ironizam, ofendem, expõe as dificuldades perante
o grupo, excluem, fazem chantagens, colocam apelidos preconceituosos e têm a
intenção de mostrar sua superioridade e poder, usando deste comportamento
freqüentemente.
De acordo ainda com artigo Bullying na Escola e
na Vida, de Nogueira e Chedid, citado acima, em Portugal um em cada cinco
alunos (22%), de 6 a 16 anos, já foi Vítima deBullying na
escola, sendo o local mais comum de ocorrência de maus-tratos os pátios de
recreio (78% dos casos) e os corredores (31,5% dos casos). Na Espanha a
incidência do Bullying se situa em torno de 15% a 20%
nas pessoas em idade escolar, quase o mesmo observado em Portugal e em outros
países da Comunidade Européia.
Muitas crianças, Vítimas de Bullying,
desenvolvem medo, pânico, depressão, distúrbios psicossomáticos e geralmente
evitam retornar à escola. A fobia escolar geralmente tem como causa algum tipo
dessa violência. Outras crianças que sofremBullying, dependendo
das características de suas personalidade e das relações com os meios onde
vivem, em especial entre suas famílias, poderão não superar totalmente os
traumas sofridos na escola. Elas poderão crescer com sentimentos negativos e
com baixa autoestima, apresentando sérios problemas de relacionamento no
futuro. Poderão, outrossim, assumir um comportamento agressivo, vindo a
praticar o Bullying no ambiente sócio-cupacional adulto
e em casos extremos, poderão tentar ou a cometer suicídio.
Raymundo de Lima, citando Lopes Neto (veja), observa que os casos de
suicídio acontecem, em geral, nas pessoas que não suportaram a grande pressão
psicológica doBullying. Observa ainda o pior efeito da pressão
sofrida nos casos de Bullying seja, talvez, fazer a Vítima se
sentir absolutamente inexpressiva, insignificante, abjeta, desprezível, enfim,
uma agressão que combina fazer de conta que a Vítima não
existe, aniquilando totalmente a autoestima, suprimindo, inclusive, as
condições para ela desabafar com alguém.