segunda-feira, 17 de dezembro de 2012


Dança

A dança é uma das três principais artes cênicas da Antiguidade, ao lado do teatro e da música. No antigo Egito já se realizava as chamadas danças astroteológicas em homenagem a Osíris. Na Grécia, a dança era frequentemente vinculada aos jogos, em especial aos olímpicos.[1] A dança se caracteriza pelo uso do corpo seguindo movimentos previamente estabelecidos (coreografia) ou improvisados (dança livre).[2] Na maior parte dos casos, a dança, com passos cadenciados é acompanhada ao som e compasso de música e envolve a expressão de sentimentos potenciados por ela.
A dança pode existir como manifestação artística ou como forma de divertimento ou cerimônia. Como arte, a dança se expressa através dos signos de movimento, com ou sem ligação musical, para um determinado público, que ao longo do tempo foi se desvinculando das particularidades do teatro.
Atualmente, a dança se manifesta nas ruas em eventos como "Dança em Trânsito", sob a forma de vídeo, no chamado "vídeodança", e em qualquer outro ambiente em que for contextualizado o propósito artístico.
Apresentação de um grupo de dança.
A história da dança cênica representa uma mudança de significação dos propósitos artísticos através do tempo.
Com o Balé Clássico, as narrativas e ambientes ilusórios é que guiavam a cena. Com as transformações sociais da época moderna, começou-se a questionar certos virtuosismos presentes no balé e começaram a aparecer diferentes movimentos de Dança Moderna. É importante notar que nesse momento, o contexto social inferia muito nas realizações artísticas, fazendo com que então a Dança Moderna Americana acabasse por se tornar bem diferente da Dança Moderna Européia, mesmo que tendo alguns elementos em comum.
A dança contemporânea como nova manifestação artística, sofrendo influências tanto de todos os movimentos passados, como das novas possibilidades tecnológicas (vídeo, instalações). Foi essa também muito influenciada pelas novas condições sociais - individualismo crescente, urbanização, propagação e importâncias da mídia, fazendo surgir novas propostas de arte, provocando também fusões com outras áreas artísticas como o teatro por exemplo.
[editar]Dança e educação

A dança no contexto educacional brasileiro aparece como conteúdo da disciplina Artes e nas atividades Ritmicas e Expressivas da Educação Física. [3] A dança é trabalhada na escola como atividade e linguagem artística, forma de expressão, socialização, como conceito e linguagem estética de arte corporal e Cultura Corporal de Movimento Humano. Na educação física a dança é utilizada de forma instrumental, assim como a ginástica, os esportes e as lutas, enfocando o aspecto biopsicossocial, como forma de atividade para condicionamento físico, visando bem estar e saúde em clubes, academias e demais espaços de lazer.
No âmbito de formação academico-profissional, existem cursos específicos de bacharelado em Dança que qualificam profissionais de dança, seja o artista bailarino, dançarino ou coreógrafo e ainda as licenciaturas em Dança que forma os professores de dança. Estes cursos são vinculados à área de conhecimento das Artes.
A abordagem da dança dentro do contexto da educação física é complementar aos bachareis (ou licenciados) de dança e deve auxiliar, entre outras coisas, no preparo físico para que os profissionais de artes possam atuar. Na educação física a dança é uma atividade física, como a ginástica, que visa promover não só o condicionamento físico, como também o bem estar psicológico e social, que é o propósito de atuação deste profissional. [4]
Ainda no Brasil, a formação para professores e artistas de dança é adquirida nos cursos superiores de dança (bacharelados e licenciaturas) e a profissão é regulamentada pela Lei 6.533/78 a Lei do Artista. [5]
[editar]Classificação e gêneros



Dança Bharatanatyam
Várias classificações das danças podem ser feitas, levando-se em conta diferentes critérios.
Quanto ao modo de dançar:
dança solo (ex.: coreografia de solista no balé, sapateado);
dança em dupla (ex.: tango, salsa, valsa, forró etc);
dança em grupo (ex.: danças de roda, sapateado).
Quanto a origem:
dança folclórica (ex.: catira, carimbó, reisado etc);
dança histórica (ex.: sarabanda, bourré, gavota etc);
dança cerimonial (ex.: danças rituais indianas);
dança étnica (ex.: danças tradicionais de países ou regiões).
Quanto a finalidade:
dança erótica (ex.: can can, striptease, pole dancing);
dança cênica ou performática (ex.: balé, dança do ventre, sapateado, dança contemporânea);
dança social (ex.: dança de salão, axé, tradicional);
dança religiosa/dança profética (ex.: dança sufi).
dança coreografada (ex.: Casamento, Debutantes, Bodas); etc

Estudos e técnicas de dança

No início dos anos 1920, os estudos de dança (dança prática, teoria crítica, análise musical e história) começaram a ser considerados uma disciplina acadêmica. No final do século XX, esses estudos são parte integrante de muitos programas de artes e humanidades das universidades, incluindo:
prática profissional: performance e habilidades técnicas
prática de pesquisa: coreografia e performance
etnocoreografia, abrangendo os aspectos de dança relacionados com antropologia, estudos culturais, estudos de gênero, estudos de área, teoria pós-colonial, etnografia etc.
dançaterapia ou terapia por movimentos de dança.
Dança e tecnologia: novos meios de comunicação e o desempenho de tecnologias.
Análise de Movimento de Laban e estudos somáticos.
Graus acadêmicos estão disponíveis desde o bacharelado até o doutorado e também programas de pós-doutorado, com alguns estudiosos de dança fazendo os seus estudos como estudantes maduros depois de uma carreira profissional de dança.

Competições de dança

Uma competição de dança é um evento organizado em que os concorrentes executam danças perante um juiz ou juízes visando prêmios e, em alguns casos, prêmios em dinheiro. Existem vários tipos principais de competições de dança, que se distinguem principalmente pelo estilo ou estilos de dança executados. Os principais tipos de competições de dança incluem:
Dança competitiva, em que uma variedade de estilos de danças teatrais, como dança acro, balé, jazz[6], hip hop, dança lírica e sapateado, são permitidos.
Competições abertas, que permitem uma grande variedade de estilos de dança. Um exemplo disto é o popular programa de TV: So You Think You Can Dance.
Dança esportiva, que é focada exclusivamente em dança de salão e dança latina. Exemplos disso são populares programas de televisão Bailando por um Sonho e Dancing with the Stars.
Competições de estilo único, como dança escocesa, dança de equipe (dance squad) e dança irlandesa, que só permitem um único estilo de dança.
Hoje, há vários concursos de dança na televisão e na internet.
↑ História da Dança Brasil Escola.
↑ Britannica.com from encyclopedia britannica (em inglês). Encyclopedia Britannica. Página visitada em 1 de Maio de 2010.
↑ PCN - BRASIL, 2000, p. 46
↑ http://www.artenaescola.org.br/upload/monografias/resenha_296.pdf
↑ http://www.planalto.gov.br/ccivil/leis/L6533.htm
↑ www.wikipedia.com
↑ Uma possível história da dança jazz no Brasil

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012


A adolescência e as drogas
:: Flávio Gikovate :: 

- Os traficantes entram em nossas casas porque encontram portas abertas. E seduzem nossos filhos porque eles têm crescido fracos e sem qualquer esperança.

Temos muitas dúvidas a respeito de quase todas as coisas que nos são importantes. Mas também temos algumas certezas. Elas derivam da observação dos fatos, especialmente daqueles que são indiscutíveis, que não deixam margem para interpretações variadas. Uma dessas certezas tem a ver com o uso de drogas: praticamente todas as pessoas viciadas começaram a usar algum tipo de droga nos primeiros anos da adolescência, entre os 13 e os 17 anos de idade. Isto é válido para o uso de drogas pesadas, mas igualmente acontece com a iniciação ao uso do cigarro normal que, mesmo provocando poucos efeitos psicológicos, determina forte inclinação para a dependência.

Outra certeza que temos é a necessidade urgente de compreendermos melhor o que se passa na cabeça dos nossos jovens, para que possamos impedir que persista a tendência atual, que é a do uso de drogas por um número cada vez maior de pessoas, e que ela venha a envolver praticamente toda a juventude do nosso país. Teremos que providenciar novas atitudes dos pais e da sociedade, especialmente se isto puder ajudar nossas crianças a crescerem com mais força e determinação pessoal.

Sim, porque é fácil colocar toda a culpa do problema das drogas nos traficantes e outros delinqüentes que fazem fortuna com este comércio. A verdade é que eles entram nas nossas casas porque encontram as portas abertas. E eles seduzem nossos filhos porque eles têm crescido fracos e sem esperanças. E isto é nossa responsabilidade. Isso é fruto da excessiva permissividade na educação que nós, indo para o pólo oposto do pêndulo em relação ao modo como fomos criados, lhes transmitimos. É hora de urgentes revisões na educação.

Além do mais, existem importantes características da adolescência que fazem com que o jovem seja presa fácil de traficantes espertos. Uma delas é a peculiar prepotência dos rapazes e moças, a tendência para acharem que sabem de tudo e que podem tudo. Gostam da idéia de que ser adulto é ter coragem para experimentar de tudo, de modo a formar juízo próprio sobre todas as coisas. O conceito geral até que é interessante, mas não vale para todas as coisas. Não tem o menor sentido testas pessoalmente o uso de drogas mais que conhecidas, tanto em seus efeitos agradáveis como em seus malefícios e seu poder para viciar. Mas a prepotência dos adolescentes não conhece o bom senso. Querem apenas afirmar sua independência em relação aos adultos dos quais efetivamente dependem.

Só faz uma verdadeira guerra de independência quem é dependente. A adolescência sempre foi um período muito difícil para os jovens, pois eles têm que assumir, mais ou menos rapidamente, crescentes responsabilidades e se encaminhar na direção da autonomia. Isto é difícil e doloroso, pois uma parte de nós preferiria não ter que crescer e passaria o resto da vida usufruindo aconchego e proteção familiar. Esta parte tem sido muito estimulada pela educação superprotetora, de modo que os esforços das crianças para desenvolverem o outro lado, o da busca da individualidade, são mínimos. A adolescência exige uma aceleração do passo nesta direção, isto por pressões externas que são opostas às tendências que existiam até então.

O que acaba acontecendo é que os jovens se afastam da família e não suportam a sensação de abandono. Não podem voltar atrás e só lhes resta uma solução: substituir o aconchego familiar pelo do grupo de amigos da mesma idade. Desta nova família tiram a força necessária para romper com aquela de onde vieram. Tornam-se independentes de uma forma curiosa: têm que agir de algum modo em oposição aos valores do seu grupo de origem. O grupo de jovens se une e se torna solidário porque tem em comum comportamentos que desagradam aos mais velhos. Tornam-se independentes dos seus pais, provocando uma guerra aberta contra eles e contra seus valores. Estão prontos para agir de um jeito que os aborreça, pois isto será sinal de independência – é como se a independência fosse a dependência de cabeça para baixo! Estão prontos para se unir em grupos que irão adorar usar roupas extravagantes e reprovadas pelas famílias, para fumar cigarros e para experimentar outras drogas que lhes forem oferecidas. Um certo número de jovens irá adorar os efeitos que elas provocam. E aí...

“As coisas precisam ser ditas”. Essa frase, de um personagem de um filme, expressa como o silêncio o condenara a não viver plenamente o seu amor por mais de 30 anos, por receio de declarar-se. Assim, se o silêncio pode calar destinos, as palavras ditas na hora certa, sobretudo por pessoas amadas, podem trazer soluções ou mesmo salvar vidas.

A palavra tornou-se valioso instrumento terapêutico, com respeitabilidade científica, através da obra de Freud, que, ao desvelar a existência do inconsciente, tornou o diálogo um veio profícuo de cura.

E em família, o diálogo é sempre fundamental, especialmente quando há filhos adolescentes, ocasião em que os jovens costumam afastar-se dos pais.

A adolescência é um período no qual é freqüente o aumento nos confrontos entre pais e filhos. É uma fase de emoções intensas, pois o jovem está buscando consolidar a sua própria identidade. Esse processo manifesta-se pelo maior envolvimento com o grupo de pares de sua idade e pode vir acompanhado de afastamento de sua família. Essa distância dos pais pode expressar-se em forma de rebeldia, sendo comuns as cenas de jovens trancados em seus quartos, isolados em seu mundo, emudecidos ou intolerantes faces às perguntas dos pais. E tudo isso acontece sem motivos aparentes para tal.

Diversos trabalhos científicos em várias partes do mundo demonstram que se trata de um fenômeno global. São gerais os relatos que associam a adolescência a uma época de questionamento, quando os filhos põem em cheque as regras, os valores e as crenças familiares. Jovens irritados e questionadores podem gerar uma muralha em relação aos pais.
AFP PHOTO/Pedro ARMESTRE
Descrição: http://www.uai.com.br/UAI/noticias/fotos/20080806133334360.jpg

É comum manifestarem ataques de raiva, apresentarem comportamentos sexuais desafiadores ou agressivos. E nessa busca de afirmar a própria identidade, correm riscos de influências externas que os conduzam a caminhos incertos, rumos de ousadia e mesmo riscos para a saúde e a vida.

Atualmente, há também relatos de aumento de quadros depressivos em jovens, cujo isolamento e tristeza podem conduzir em certos casos ao suicídio. Tais situações próprias do relacionamento familiar na adolescência, encontram no esforço do diálogo a sua maior força terapêutica.

Quem deve fazer o movimento da procura são os pais, que devem compreender, tolerar, lembrar da própria rebeldia no passado. A experiência e a maturidade devem falar mais alto e acionar a humildade da procura, da insistência pelas palavras, de vencer a mágoa e retomar a relação. Não é fácil engolir seco, domar a raiva, dominar o impulso do poder de ser pai/mãe, de saber-se investindo no filho, em recursos financeiros, em afeto, em compreensão e perceber-se rejeitado(a). Mas a tolerância, a paciência e o diálogo podem abrir caminhos de reconquista e de novos encontros.

Famílias com fronteiras mais flexíveis permitem que o adolescente possa transitar e experimentar-se livremente em diferentes territórios, aproximando-se quando se sente inseguro e afastando-se para experienciar sua independência. Nesse cenário, exigem-se esforços de todos os membros na busca de novos padrões de convivência familiar, adaptados a este momento específico do ciclo vital da família.

E a comunicação clara e direta é um dos recursos em que a família deve investir, pois certamente pode favorecer a confiança e o afeto entre pais e filhos, assegurando a compreensão e os laços necessários para uma adolescência mais feliz.



Sexualidade na adolescência

Por: Stella R. Taquette

A sexualidade, uma das características mais importantes do ser humano, está presente desde os primórdios da vida. O ser humano é movido por suas pulsões libidinais direcionadas à busca do prazer e estas se manifestam muito precocemente. Manifestações sexuais podem ser visualizadas em imagens ultrassonográficas de fetos do sexo masculino, como por exemplo a ereção peniana. Já as meninas desde os primeiros dias de vida apresentam lubrificação vaginal. Estes comportamentos são uma demonstração da potencialidade biológica para o desenvolvimento da sexualidade. Sensações sexuais estão presentes durante todo o desenvolvimento da criança, desde a amamentação até o início pubertário, quando então há uma intensificação destas sensações. É com a chegada da puberdade, com o desenvolvimento físico, que o ser humano se torna apto a concretizar a sexualidade plena através do ato sexual propriamente dito, que permite tanto obter prazer erótico como procriar.
O aumento do interesse sexual coincide com o surgimento dos caracteres sexuais secundários. Este interesse é influenciado pelas profundas alterações hormonais deste período da vida e pelo contexto psicossocial. O prazer resultante do ato sexual diferencia o ser humano do restante dos animais. Ele é o único ser que, objetivamente, pode ter relação sexual só pelo prazer e não com finalidade reprodutiva (Levin, 1969; Dolto, 1977) e na adolescência isso se torna evidente (Silber, 1985).
Apesar da sexualidade ser definida como um conjunto de fenômenos que permeia todos os aspectos de nossa existência ela é vista inicialmente como um fenômeno biológico. Porém, sabe-se que é também social e psicológico e só pode ser compreendido quando situado no âmbito e nas regras da cultura em que se vive. Em cada sociedade são diferentes as proibições e permissividades em relação à atividade sexual. No processo de adaptação cultural do ser humano, o controle da sexualidade é um dos aspectos centrais. Praticamente todas as culturas impõem alguma forma de restrição ao comportamento sexual.
A complexidade e ambigüidade da sexualidade residem principalmente no fato da reprodução não ser seu objetivo primordial. Historicamente podemos observar que a sociedade humana se iniciou com uma proibição ao livre exercício da sexualidade, o tabu do incesto (Lévy-Strauss apud Dor, 1989). A religião também exerceu e ainda exerce grande influência no comportamento sexual dos indivíduos. Segundo a interpretação da igreja católica sobre a criação do mundo, Adão e Eva foram expulsos do paraíso porque se tornaram sexuados. No paradigma monástico do início da era cristã, todas as pessoas sexuadas eram consideradas pecadoras. Só os monges, que viviam isolados no deserto eram puros. Porém, mais tarde, no século IV, outra interpretação foi dada por Santo Agostinho, que acreditava que o castigo divino a Adão e Eva deveu-se ao prazer resultante do ato sexual e não ao ato em si. A partir daí, a concupiscência da carne, passou a ser considerada um pecado (Ariès & Duby, 1995). Em outras culturas e em outras épocas da humanidade restrições ao livre exercício da sexualidade foram impostas por motivos econômicos, como por exemplo no desenvolvimento da sociedade capitalista o sexo foi reprimido porque ser incompatível com o trabalho (Foucault, 1988).
Em nossa sociedade sexo ainda é um tabu e os problemas relativos à sexualidade são muito freqüentes. Acompanhar desde cedo o processo de desenvolvimento pode ajudar o adolescente a prevenir problemas futuros como abuso sexual, gravidez não desejada, promiscuidade ou dificuldades sexuais propriamente ditas como frigidez, impotência sexual, ejaculação precoce, etc.

Desenvolvimento Psicossexual
Freud, o “pai” da psicanálise, elaborou uma teoria sobre a sexualidade, até hoje referida pela maioria dos autores. Ele classificou o desenvolvimento sexual em cinco fases: oral, anal, fálica, latência e genital, conforme a idade do indivíduo e a localização corporal da principal fonte de sentimentos prazerosos.

Primeiro ano de vida
Nesta etapa da vida, o bebê a princípio não se diferencia de sua mãe, sentindo-se ligado a ela, como se ambos fossem uma só pessoa. Sua comunicação com o mundo se dá principalmente através da boca, pela sucção e pelo choro. O bebê sente-se bem quando suas necessidades orgânicas internas são saciadas através da amamentação. Ele sente-se seguro e calmo também quando é acariciado e aconchegado ao colo. Esta etapa foi denominada por Freud de “fase oral”, pois a boca é a parte do corpo onde há primazia dos sentimentos prazerosos. Porém, não é só a boca a detentora destes sentimentos prazerosos nesta fase. O bebê também gosta e necessita ser acariciado em todo o seu corpo. Durante o primeiro ano de vida o bebê descobre fortuitamente seus genitais e sente prazer em tocá-los. É comum em serviços de saúde vermos os bebês manipularem seus genitais assim que suas mães retiram-lhes a fralda para serem examinados pelo médico. O hábito de chupar o dedo ou a chupeta, a necessidade de colocar tudo na boca, quando já tem coordenação motora para isso, o desejo de morder, tudo isso é representativo do prazer que o bebê sente na região oral.
Segundo ano de vida
Durante o segundo ano de vida a criança se desliga parcialmente das necessidades orais, passando a se concentrar em outras atividades recém adquiridas. Ela já consegue andar e explorar melhor o ambiente em que vive. Nesta etapa muita atenção é dada às regiões genitais, pois é nesta fase que se adquire o controle esfincteriano. A partir dos 18 meses a criança já tem potencialmente maturidade neurológica para conter os esfíncteres, quando está desperta. Com o treinamento exercido pelos pais, a criança concentra grande parte de sua energia na aprendizagem deste controle e fica atenta à manipulação de seu corpo, quando é higienizada. Freud denominou esta etapa de “Fase anal”, por observar o grande prazer que as crianças demonstravam na região anal. As crianças freqüentemente brincam com a retenção de suas fezes e urina. Muitas revelam o prazer que sentem na região anal retardando o ato de defecar até a hora em que o bolo fecal acumulado produz violentas contrações musculares e sua passagem pelo esfíncter anal causa grande excitação das mucosas. Freud considera a retenção das massas fecais uma excitação masturbatória da zona anal.
Terceiro ao sexto ano de vida
Esta etapa é muito marcante no desenvolvimento do ser humano. As crianças descobrem de fato seus órgãos genitais e percebem as diferenças que existem entre meninos e meninas. É também nesta fase que percebemos uma ligação afetiva preferencial da criança com o genitor do sexo oposto. Ao descobrir os genitais, a grande diferença entre os sexos observada pelas crianças é a presença do pênis nos meninos e a sua falta nas meninas. Há evidências de que as meninas pensam não ter pênis porque alguém lhes cortou ou que ele ainda vai crescer. Elas se sentiriam inferiorizadas em função deste fato, mas há teorias que sustentam que a verdadeira fonte deste sentimento de inferioridade estaria na condição social da mulher, que simbolizaria na falta do pênis seu sentimento de inferioridade.
Esta fase se caracteriza por uma grande curiosidade sexual. As crianças adoram olhar as pessoas desnudas e também serem olhadas e se manipularem. Ao descobrir os genitais, estes são explorados e manipulados. A manipulação é prazerosa e com isso a criança tende a repeti-la outras vezes. Freud denominou esta etapa da vida de “Fase fálica”, devido à primazia de as sensações prazerosas estarem anatomicamente localizadas na região do “falus” genital (Freud, 1958b).
As crianças nesta fase mostram preferência pelo genitor do sexo oposto, muitas vezes até dizendo literalmente: “vou casar com o papai” ou “minha mãe é minha namorada”, tentando excluir o outro genitor da relação familiar, mesmo sabendo que gosta também do outro e até sentindo culpa por querer expulsá-lo desta relação amorosa. A este “triângulo amoroso” Freud denominou de “Complexo de Édipo”, baseado na peça homônima “Édipo rei”, escrita na antigüidade por Sófocles. Esta peça ilustra a relação amorosa existente entre pais e filhos, a quebra do tabu do incesto e sua repercussão no futuro (Azoubel Neto, 1993). Freud define o Complexo de Édipo como um conjunto organizado de desejos amorosos e hostis que a criança experimenta relativamente a seus pais.
Ao descobrir a diferença entre os sexos no terceiro ano de vida, o menino tende a se aproximar apaixonadamente de sua mãe, tentando excluir o pai desta relação. Porém, provavelmente sente muita culpa por isso, pois o pai também é amado e importante para ele. Segundo Freud, ele teme ser castigado por desejar a exclusão do pai e perder seu pênis; ser castrado e se tornar uma menina, que ele imagina ter sido castrada. A menina, quando descobre que não tem pênis, demonstra sentimento de inferioridade. Tenta urinar na mesma posição dos meninos e muitas vezes afirma ter preferido ser homem. Depois de algum tempo entende que nunca vai ter um pênis, pois sua mãe jamais teve um. A partir daí ela se aproxima do pai, que possui o que ela não tem.
No período edípico, as crianças enfrentam sentimentos e sensações de atração sexual pelo genitor do sexo oposto, além do ciúme, culpa, medo e hostilidade em relação ao genitor do mesmo sexo. O complexo também incluiria a culpa associada a estes sentimentos. Porém é importante lembrar que todas estas interpretações do comportamento das crianças em seu desenvolvimento são dependentes da cultura em que vivemos. É impensável o conceito de um Édipo sem uma cultura que o sustente. A determinante psicológica faz parte da infra-estrutura de todo sistema social e a situação edípica e as relações familiares representam o veículo e a vertente principal da formação do ser social e de sua identidade.
Sétimo ano de vida à puberdade
Nesta idade as crianças já estão na escola, iniciando seu aprendizado formal. Grande parte da energia libidinal é deslocada para este aprendizado. Muitas atividades novas surgem. A criança passa a conviver com muitas outras crianças e sente muito prazer nestas atividades, desligando-se parcialmente das questões relativas a seus genitais. Freud denominou este período de “Fase de latência”, na qual parece não haver primazia de sentimentos prazerosos em nenhuma parte anatômica do corpo.
O período de latência se iniciaria quando o complexo de Édipo entra em declínio. Este declínio corresponderia à consciência da criança de que é impossível realizar seu duplo desejo, amoroso e hostil, em relação aos pais. Não podendo se livrar do “rival” (o genitor do mesmo sexo), a criança procuraria se identificar com ele (Freud, 1958c). Neste período o pai e a mãe tornariam-se modelos do papel masculino e feminino para filho e filha respectivamente.
Ao se desligar um pouco de suas tensões sexuais, a criança passa a se interessar pelo aprendizado da escola, que lhe possibilita a aquisição de novos conhecimentos e diferentes conquistas. Esta fase termina com o início da puberdade. A energia libidinal nesta fase de latência está mais voltada ao ensino formal e à aquisição de novas habilidades.

Período pubertário
O início da puberdade, com o estímulo dos hormônios sexuais, propicia uma intensificação das emoções sexuais. Com o desenvolvimento do corpo e dos órgãos genitais, há um aumento do desejo sexual, que agora tem um órgão sexual pronto para consumá-lo. A masturbação volta a ser freqüente, não mais como uma atividade auto-erótica e sim com um fim sexual (Knobel, 1984). Ou seja, na fase fálica as crianças se masturbam por sentir prazer neste ato. Na fase pubertária, em que os órgãos genitais estão em desenvolvimento, os adolescentes se masturbam pensando em alguém, imaginando um ato sexual. É nesta fase que ocorre o início da atividade sexual genital propriamente, a que Freud denominou “Fase genital”.

Características do comportamento sexual na adolescência
O comportamento sexual de um indivíduo depende não só da etapa de desenvolvimento em que se encontra, como do contexto familiar e social em que vive. Na atualidade, a sociedade tem fornecido mensagens ambíguas aos jovens, deixando dúvidas em relação à época mais adequada para o início das relações sexuais. Ao mesmo tempo em que a atividade sexual na adolescência já é vista como um fato natural, largamente divulgado pela mídia, que estimula a aceitação social da gravidez fora do casamento, ainda se vêem a condenação moral e religiosa ao sexo antes do matrimônio e atitudes machistas rejeitando as mulheres não “virgens”. Este contexto dificulta o relacionamento entre as moças, de quem são cobradas atitudes castas, e os rapazes, que têm de provar sua masculinidade precocemente, com o início muitas vezes prematuro da atividade sexual, por pressão social. Outro aspecto importante é a defasagem existente entre a maturidade biológica, alcançada mais cedo, e a maturidade psicológica e social que cada vez mais tarde se torna completa. Perante este quadro os jovens se encontram perdidos, sem um parâmetro social claro de comportamento sexual e com uma urgência biológica a ser satisfeita em idade precoce.
Em relação à etapa do desenvolvimento, observam-se as seguintes características do comportamento sexual adolescente:
Adolescência precoce (10 aos 14 anos)
Esta é a fase da grande transformação biológica, em que o comportamento sexual depende destas mudanças físicas. Os adolescentes ficam se comparando uns aos outros e, como há uma grande variabilidade no desenvolvimento pubertário, os que ainda não se desenvolveram se sentem inferiorizados e os que já têm um corpo formado se angustiam com a nova postura que têm de assumir, sem ter ainda maturidade. Eles se sentem envergonhados e já não trocam de roupa na frente dos pais e irmãos. Têm dificuldade de conversar com adultos, principalmente com os pais, devido ao recrudescimento do complexo de Édipo, característico desta fase. O adolescente revive o triângulo edípico e teme a consumação do incesto, pois tem sensação erótica em relação aos pais; por isso sente dificuldade de contato físico com estes, em contraste com manifestações carinhosas anteriores.
Nesta etapa a sexualidade ainda é indiferenciada e a masturbação é a conduta sexual mais freqüente. As mudanças do corpo, neste período, são mais rápidas do que a capacidade dos adolescentes de assimilarem cada nova imagem que surge. Sintomas hipocondríacos e psicossomáticos são freqüentes, como: bulemia, anorexia, cefaléias, alergias, depressão, etc.

Adolescência média (15-16 anos)
O relacionamento amoroso (namoro ou o “ficar” com alguém) geralmente se inicia nesta fase. Já há uma aceitação maior das transformações físicas, resultando em um corpo adulto com capacidade reprodutiva. As meninas tendem a usar roupas que expõem seu corpo sedutoramente. No namoro as carícias são progressivas até culminar com a relação sexual genital, que ocorre geralmente nesta fase. A sexualidade contribui com a autoestima do jovem e faz parte da formação da identidade do indivíduo. É durante a adolescência que se define e se consolida a identidade sexual. Pode haver relacionamentos e fantasias homossexuais que não implicam uma homossexualidade futura e sim uma experimentação sexual.
Adolescência tardia (17 a 20 anos)
Nesta etapa a identidade sexual já está definida e a maior estabilidade afetiva favorece a busca de um objeto amoroso único. O namoro apaixonado é freqüente. À medida em que há maior maturidade psicológica e social, o jovem evolui para a independência econômica da família e para um relacionamento afetivo mais duradouro.

Construção da Identidade sexual
Durante a adolescência é comum observarmos uma fase de “homossexualidade”, em que as meninas convivem com suas amigas intimamente, trocando confidências e os meninos buscam parceiros para brincadeiras e vivências. É uma fase de experimentação sexual, que geralmente não influi na identidade sexual adulta futura. A identidade sexual adulta se define e se afirma durante todo o processo evolutivo pela identificação. Segundo Werebe (1979), a orientação sexual de um indivíduo está mais ligada ao sexo que lhe foi atribuído quando do nascimento e à atitude do ambiente do que ao sexo gonádico propriamente dito.
Freud diz que é somente após a puberdade que o comportamento sexual assume sua forma definitiva. A identidade sexual só é consolidada no final da adolescência, com a passagem para a idade adulta (Aberastury et al., 1988). Segundo a teoria psicanalítica, na infância existe uma “bissexualidade” que vai sendo substituída pela identidade sexual masculina ou feminina à medida que ocorrem as transformações biológicas do corpo e as condutas psicológicas e sociais são apreendidas. A moda unissex mostra claramente a ambivalência da definição sexual na adolescência. Através da roupa e do cabelo pode-se ver como o jovem expressa seus conflitos de identificação sexual. Portanto é normal que na adolescência apareçam períodos de predomínio de aspectos femininos no menino e masculinos na menina. A posição heterossexual adulta exige um processo de flutuação e aprendizagem de ambos os papéis. As experiências homossexuais ocasionais entre adolescentes não podem ser consideradas patológicas, pois é um processo de angústia da definição sexual.

Abuso sexual
Ter a noção de que o sentimento sexual existe e está presente em todas as etapas da vida é um dado importante que se deve ter em mente para se prevenir o abuso sexual, freqüente em nosso meio. As crianças e adolescentes são vulneráveis a abusos sexuais e às vezes se submetem porque têm prazer em serem acariciados e manipulados. Os jovens têm uma necessidade especial de relacionamentos próximos. Se esta necessidade não é preenchida, eles podem procurar outros meios de satisfazê-la e acabar submetidos a abusos sexuais, sendo que na realidade estão em busca de carinho e afeto. Outro aspecto importante a ser ressaltado é que durante a adolescência há uma reativação do complexo de Édipo, que agora pode ser concretizado de fato, pois já há maturidade biológica para isso. E, além do desejo que os filhos sentem pelos pais, também há o desejo dos pais pelos filhos, que estão no auge de sua beleza e potência físicas. Conseqüentemente o abuso sexual ocorre com mais freqüência dentro da própria casa do adolescente, e este se sente sem condições de buscar ajuda para se livrar desta situação em que tantos sentimentos contraditórios estão envolvidos.
Pais e adolescentes devem ser orientados para que estes não se exponham a situações em que o abuso sexual possa ocorrer - por exemplo, ficar a sós com adolescentes ou adultos sem a proteção de pessoas de confiança - , proteger-se de ambientes promíscuos e procurar ajuda nos casos em que houver abuso ou suspeita de abuso. É importante também orientá-los sobre aspectos de seu desenvolvimento, respondendo suas dúvidas a respeito de sexo, conscientizando-os da presença intensa dos sentimentos sexuais em todos os seres humanos.

Abordagem da sexualidade
Como é durante a adolescência que o desenvolvimento sexual adquire a sua plenitude, permitindo a procriação, é fundamental que este tema seja privilegiado pela equipe de saúde que atende o adolescente. Quando um/uma adolescente procura um serviço de saúde, por qualquer motivo, é uma grande oportunidade para que se possa orientá-lo(la) sobre questões sexuais e identificar se há algum problema nesta área. É importante também chamar a atenção que lidar com questões relativas à sexualidade dos pacientes é também mobilizar sentimentos e experiências do próprio profissional envolvido.
Um adolescente pode procurar um serviço de saúde para esclarecer dúvidas em relação a seu corpo ou ao funcionamento de seus órgãos genitais. Porém ele também pode procurar este serviço com queixas somáticas ou dificuldades de relacionamento em algum ambiente social que tem como pano de fundo um problema de natureza sexual. Portanto, em qualquer atendimento de um adolescente em um serviço de saúde a questão da sexualidade deve ser abordada.
Em primeiro lugar precisamos identificar em que fase do desenvolvimento puberal o/a adolescente se encontra, pois, como já foi descrito acima, existem preocupações características das diversas fases da adolescência. Em seguida é importante perguntar sobre as experiências sexuais que o/a adolescente já teve. Para não invadir ou ferir a timidez de alguns adolescentes e se obter respostas sinceras, deve-se primeiro falar de assuntos neutros. Perguntar genericamente sobre a escola, atividades nas horas de lazer, sobre amigos. Depois perguntar sua opinião sobre namoro, orientação sexual recebida em casa, etc. A partir daí já se tem um quadro desenhado sobre o adolescente e pode-se ir direto ao assunto, perguntando-lhe como se sente em relação ao sexo, quais as experiências que já teve, prazerosas ou não, traumáticas ou não e que conseqüências ele acha que isso teve para sua vida.
A orientação a ser dada pelo profissional de saúde não pode ser preconceituosa e nem carregada de códigos morais ou religiosos. Devem ser utilizadas de preferência terminologias próprias e não gírias. É necessário orientar o adolescente e sua família sobre as transformações que ocorrem em seu corpo, sobre as sensações sexuais, o caráter normal da masturbação, da curiosidade sexual, do tamanho dos órgãos genitais e sobre o ato sexual propriamente dito e suas conseqüências. Enfatizar que o ato sexual envolve duas pessoas, é de caráter íntimo e privado e que ambas têm que estar de acordo com o que está sendo feito e, portanto, prontas para assumir as responsabilidades advindas deste. No caso de adolescentes que já tenham atividade sexual genital, ou estejam prestes a iniciá-la, estes devem ser orientados quanto à anticoncepção e prevenção de doenças sexualmente transmissíveis.
O profissional de saúde deve estar aberto e disponível a responder perguntas que o adolescente ou sua família possam ter. É importante também ser continente às angústias por que passam nessa etapa da vida.

Referências Bibliográficas
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MORENO, J L., 1993. Psicoterapia de grupo e psicodrama. Campinas: Editorial Psy.
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WEREBE, M. J. G., 1979. Estudo sobre a sexualidade do adolescente: análise crítica. Ciênc. Cult. 31:373-81.



Ser pai ou mãe em nossa cultura atual é uma tarefa nada fácil. Primeiro porque é necessário assumir, diante de tantos outros, um caminho pelo qual deve-se pontuar a autoridade e as decisões tomadas com relação aos filhos. Depois, porque a desgastada comparação com o passado já era. Os caminhos são outros, os educadores são outros, os adolescentes são outros.
Neste panorama e nesta fase da vida, o namoro atinge níveis de comportamentos que preocupam muito os pais e os educadores. Algo que deveria ser natural, belo, prazeroso e educativo, passa a ser um drama quando encarado como proibido para a idade ou como uma caixa de surpresas: companhias, sexo, gravidez e doenças.
ETAPA NECESSÁRIA
O namoro é uma etapa importante e necessária no desenvolvimento do ser humano. E é na adolescência que se inicia esta atração pelo sexo oposto, acompanhado por tudo aquilo que já apresentamos em artigos anteriores: mudanças físicas, psicológicas e sociais. “Namorar é uma coisa boa”, afirma a psicóloga clínica Helena Dagnino, pois a paixão experimentada pelos namorados produz energia e entusiasmo pela vida, contribuindo, inclusive, para a formação da personalidade. A possibilidade de dar e receber amor alimenta a auto-estima, conduzindo os jovens ao equilíbrio emocional.
Além de ser benéfica para o amadurecimento do adolescente, a paixão é saudável também para o corpo, conforme a manchete do artigo publicado pelo Correio Riograndense, em 09/06/2004: “Namorar faz bem ao coração e a outros órgãos do corpo, como também ao sistema nervoso e ao equilíbrio...”. Como vemos, há muitas coisas boas no namoro. E qual pai ou mãe não se lembra de como foram boas suas primeiras paqueras?
ESTÁ NA HORA?
É freqüente ouvirmos pais dizerem a seus filhos, principalmente às meninas: “Não está na hora ainda de namorar, primeiro os estudos!”. Contudo, no ambiente escolar, no grupo de amigos ou até mesmo no convívio com os amigos de catequese da crisma, o papo é outro. E se forem proibidos, se encontrarão escondidos. Para a especialista na área, Terezinha Cruz, do Comitê de Adolescência da Sociedade de Pediatria do Estado do Rio de Janeiro (Soperj), o namoro é “um momento de experimentação, de treino, durante o qual o adolescente passa da fase da infância, quando recebe passivamente o afeto, à fase adulta do envolvimento afetivo-sexual. Idade exata para se iniciar um relacionamento não existe. O ideal é que, no próprio contexto familiar, se aprenda a respeitar o outro, a tolerar as diferenças, a valorizar a vida e as pessoas”.
FICAR
O que pode tornar-se um “inferno” para a família, quando um filho ou uma filha de 13 anos diz que está saindo com alguém, poderia ser menos conflituoso se antes tivessem buscado esclarecer o que é namoro e o que é ficar. A compreensão de namoro, para os pais que foram adolescentes na década de 70 e 80, foi bem diferente da dos seus filhos que nasceram na década seguinte e que encaram com um novo jeito suas relações afetivas.
Deles, ouve-se freqüentemente a expressão: “Eu fiquei com...”.
Eles definem ficar como uma troca de carinhos por um período curto, sem compromisso de namoro, sem o compromisso do dia seguinte. O adolescente, ao ficar, exercita sua descoberta da sexualidade: seu corpo, sua personalidade, sua autoestima, o outro, o prazer. Já o namoro pressupõe a exigência de permanência, de mais consistência na relação, de maior envolvimento e, porque não, de maturidade.
FICAR OU NAMORAR
Que bom seria se tivéssemos uma resposta à pergunta: “É melhor que meus filhos namorem ou fiquem?”. O ficar é um comportamento atual. Não se sabe com exatidão o que será amanhã, já que é característica dos adolescentes mudarem facilmente e, se enchendo desse relacionamento superficial, voltem, daqui há algum tempo, a namorar com mais seriedade e compromisso.
Particularmente, conhecendo os adolescentes, acho isso um tanto difícil, já que o ficar é próprio dos adolescentes que ainda estão centrados em si e têm uma forte necessidade de se auto-afirmar. É mais fácil entender uma adolescente que hoje sai com um garoto, mas já pensando em convidar outro para ir ao cinema, só porque é mais bonito, do que uma jovem de 20 anos.
SEXO
Com certeza e com razão, o que mais preocupa os pais no namoro ou no ficar dos seus filhos adolescentes é o ato sexual. Ficar com um hoje e outro amanhã significa transar também? Em se tratando de vida sexual, há uma divergência nesta fase. Não podemos afirmar que adolescentes de 11 a 15 anos têm a relação sexual como algo necessário nestes relacionamentos. Isso pode até ser diferente, dependendo do contexto social e familiar, mas na sua maioria é assim.
Diferente quando se trata de adolescentes acima dos 15 anos, quando seus corpos já são mais formados, a mentalidade mais juvenil e já alcançaram um pouco mais de independência. Este conhecimento nos ajuda a entender e trabalhar melhor com os adolescentes, pois, muitas vezes, travamos uma guerra enorme com a filha de 13 anos que está querendo ficar com o menino da escola e da mesma idade, com medo de que ela inicie cedo a vida sexual, quando ela nada mais quer do que trocar carinhos, mostrar a si e aos outros que é capaz, bonita e faz parte do grupo dos que ficam.
SOMOS CRISTÃOS
Imagino vocês se perguntando: “Mas que artigo mais liberal!”. Não posso negar que ele passe mesmo essa impressão. Mas precisamos tratar este assunto e os demais ligados a sexualidade com mais naturalidade, deixando de lado certos preconceitos que só podem atrapalhar o desenrolar da vivência e de uma sadia formação dos adolescentes. O adolescente, através das propagandas, revistas, novelas, filmes e até dos adultos mal resolvidos, absorve hoje uma enxurrada de convites para colocar o ato sexual nos seus relacionamentos.
Contudo, mesmo numa situação dessa, nós, pais e educadores cristãos, podemos dar sentido à paquera dos nossos filhos, sem privá-los do prazer de se conhecerem, orientando-os ao respeito de si próprio e do outro. Esta orientação deverá começar primeiramente pelo exemplo dos pais que verdadeiramente se amam e com diálogos sinceros, sem moralismos que só podem mostrar nossa insegurança frente a esta fase da vida. E fiquem tranqüilos, pois como diz a médica Terezinha Cruz: “Com a maturidade, as escolhas devem tornar-se mais profundas, como também a afetividade e o respeito pelo outro são levados mais em conta do que os aspectos físicos”.
DINÂMICA
Caso queiram trabalhar este tema com os adolescentes, os pais ou os educadores poder ão preparar uma encenação que ajude a refletir a problemática do namoro entre adolescentes, e que permita, em seguida, uma reflex ão em grupo.


Promoção de Segurança da Criança e do Adolescente Frente à
Mídia (TV, Internet)
Ulysses Doria Filho
Desde há algumas décadas identificou-se a extraordinária influência da mídia na
vida de todos nós e, principalmente, na das crianças e adolescentes. Inicialmente
o problema relacionava-se, principalmente, à televisão, mas, com o advento da
Internet, esta passou também a ocupar um lugar de destaque como veículo
formador de opiniões. A cultura vigente é a do consumo, extremamente fútil, na
qual valores realmente importantes inexistem e com a fantasia triunfando sobre a
realidade.
As crianças representam parcela expressiva do consumo familiar, o que explica a
saturação de imagens e publicidade dirigida especificamente ao mundo infantil.
Novos heróis, num mundo de sonhos, promovem a necessidade de consumir
roupas, brinquedos, jogos e grifes, ao mesmo tempo em que veiculam mensagens
as mais diversas. Em programas chamados de infantis são apresentados temas
vulgares, alguns com forte apelo sexual e até mesmo concursos, onde crianças se
esforçam para realizar coreografias  erotizadas, são freqüentemente promovidos.
Para se ter uma idéia do poder de influência destes programas basta observar o
modo como as crianças de hoje dançam e se vestem, não causando espanto a
disseminação de bonecas, botas, kits de beleza, sandálias etc.
Na pesquisa de Jo Groebel (Dep. de Psicologia da Mídia da Universidade de
Utrecht) foram entrevistadas 5.000 crianças de 12 anos, em 23 países, inclusive o
Brasil, ficou evidenciado o papel da mídia – principalmente da televisão, no
desenvolvimento de uma sociedade cada vez mais violenta.
Nos países pesquisados cerca de 80% das crianças têm acesso a um aparelho de
TV e passam 50% mais tempo vendo TV do que fazendo qualquer outra atividade
fora da escola como leitura, dever de casa ou esportes.
O herói de "O Exterminador do Futuro" é o ídolo de 88% das crianças avaliadas e
50% delas gostariam de um dia serem como ele.
Todo ser humano procura um modelo de comportamento para se espelhar e a
enxurrada de violência que penetra os lares através da mídia ocorre justamente
num momento em que a criança está em busca deste referencial e no qual mais
de 40% delas ainda não consegue diferenciar a realidade do que vê na tela. Em
cada hora de programa exibido na televisão há entre 5 e 10 ações violentas – nem
os desenhos animados são poupados  - o que faz com que um jovem aos 20 anos
de idade já tenha presenciado cerca de 25.000 mortes violentas e 200.000 atos de
violência.A televisão é a maior fonte de informação e entretenimento da maioria das
crianças em muitos  países e o conteúdo de sua apresentação a todos atinge ao
denegrir valores morais e éticos, ao banalizar a violência e o sexo.
O que os pais podem fazer a respeito?
• Limitar o tempo para ver televisão a uma ou duas horas por dia. Antes de a
criança ir assistir aos seus programas ela já deve ter concluído os seus afazeres
escolares e deveres outros.
• Ajudar seus filhos a encontrar alternativas sadias para fazer ao invés de ficar
vendo televisão durante horas e horas, como esportes, "hobbies" e atividades
familiares em grupo.
• Escolher antecipadamente os programas adequados, fazendo um esquema a ser
seguido durante a semana.
• Conhecer os programas que seus filhos vêem. Quando eles mostram cenas de
sexo, álcool e abuso de outras drogas ou violência, ajude-os a compreender o que
estão vendo, mostrando toda a extensão do problema  – por exemplo, explicando
as dificuldades que uma família irá passar quando algum de seus membros é
afetado.
• Impedir que aparelhos de televisão sejam instalados nos quartos das crianças
propiciando maior tempo para sua utilização e onde é muito mais difícil controlar o
que está sendo visto.
• Manter livros, revistas e jogos de tabuleiro na saleta de TV.
• Ser um exemplo vivo do que deseja ensinar, isto é, lendo livros, praticando
esportes, fazendo passeios com os filhos, ao invés de passar o fim-de-semana
vendo televisão.
Com a disponibilização em massa do acesso à Internet o problema em relação à
mídia se agrava.
Todos os dias milhares de crianças e adolescentes surfam pela World Wide Web e
a cada um cabe escolher aquilo que deseja ler, ver ou ouvir, não se controlando e
nem é possível fazê-lo, a qualidade de tudo que é publicado.
As crianças podem desfrutar de grandes benefícios ao usar a rede como uma rica
ferramenta educacional e também de lazer sadio, mas são justamente elas, por
serem crédulas e curiosas, as presas mais fáceis de criminosos e exploradores de
toda sorte. Os adolescentes, entretanto, muito mais que as crianças menores, constituem um
grupo de risco particularmente importante visto estarem expostos a discussões
"online", onde buscam relacionamentos e atividade sexual, além de terem uma
supervisão muito mais difícil. A falsa sensação de segurança que o anonimato
propicia faz com que os diálogos freqüentemente se tornem mais pessoais e
íntimos do que se tornariam numa conversa face a face com um estranho.
O fato de que centenas de crimes têm sido cometidos "online" não constitui razão
suficiente para impedir o acesso de crianças à rede  - elas irão usar e muito as
suas habilidades no computador em todas atividades do futuro  -, parecendo ser
uma estratégia muito mais interessante e eficaz instrui-las quanto aos benefícios e
perigos que o "cyberspace" oferece, do mesmo modo que se ensinam medidas de
segurança para aquela que vai à escola ou simplesmente brincar na rua.
A facilidade de acesso à rede tem aumentado rapidamente sendo muito grande o
número de provedores, entre os quais as companhias telefônicas e de TV a cabo
se incluem. Mesmo que uma família não tenha computador em casa, suas
crianças terão oportunidade de acessar a Internet na escola ou na casa do
vizinho. O acesso é até mesmo gratuito nos dias de hoje, permitindo antever a
enxurrada de informação não solicitada que estará por vir, atendendo
exclusivamente a interesses econômicos, independentemente do mal que possam
causar. Brevemente ao se comprar um aparelho de televisão, ele já virá com o
acesso à Internet incorporado.
Os principais riscos a que as crianças estão expostas ao surfar pela Internet são:
• Exposição a material inapropriado: sexual  – milhares de fotos, vídeos mostrando
toda sorte de perversões-, violento, odioso, que encoraje atividades perigosas ou
ilegais, ideológicos, vulgares etc.
• Agressões físicas: a criança pode passar informações "online" que coloquem em
risco a sua segurança assim como a de sua família, por exemplo, fornecendo
dados pessoais como seu nome, colégio onde estuda, endereço, profissão dos
pais, características de sua casa, marcando encontros etc.
• Legais e financeiros: há também a possibilidade de cometer crimes como realizar
compras - de passagens, bens de consumo etc - com o cartão de crédito de outra
pessoa, movimentar aplicações e contas bancárias, participar de leilões, jogar em
cassinos virtuais, invadir sites sem permissão etc.
• Oportunidade de experimentar jogos extremamente violentos e inclusive de fazer
"download" de versões para demonstração.
• Exposição a uma comunidade praticamente infinita, incontrolável: embora a
maioria das pessoas navegando pela WWW seja bem intencionada, muitos não o
são, podendo tratar-se de ladrões, assassinos, pedófilos, traficantes e usuários de drogas, membros de seitas e ordens diversas, de "gangs", que exploram a
violência, o sexo, o jogo, as drogas e os vícios em geral.
É importante conhecer a atividade dos pedófilos no Brasil e na rede: trata-se de
homens e mulheres, pertencentes a todas as camadas sociais, que colecionam
materiais pornográficos - vídeos, fotos, revistas etc  - produzido com crianças e os
utilizam para ajudar na sedução de suas vítimas, fazendo-as crer que o que está
sendo proposto é aceitável; sempre trabalham discretamente e muitos exercem
atividades que os colocam naturalmente dentro do mundo infantil.
Crianças na mais tenra idade têm sido envolvidas e até mesmo o estupro de
crianças ao vivo já foi transmitido pela Internet. O assunto é muito importante e
tem despertado interesse em todo mundo.
Concernente aos jogos violentos, desde há alguns anos são conhecidos os seus
efeitos nocivos, existindo  algumas centenas de trabalhos comprovando o fato. A
técnica neles empregada é a mesma usada para treinamento de soldados. Ela faz
com que o jogador torne automática a sua resposta violenta, com pouca
participação cerebral.
A mera leitura destes itens pode levar os pais a proibir que seus filhos usem a
Internet, entretanto, estes riscos estão presentes no dia-a-dia de todos, dentro ou
fora dela e, nem por isso, o mundo acabou, existindo porém uma grande
diferença, este novo universo está agora ao alcance de todos, ele foi trazido para
o interior dos lares.
Se for verdade que as crianças aprendem o que vivem, cabe a atual geração se
perguntar em relação aos seus filhos  - se eles vivem continuamente a violência, o
que estarão aprendendo?
Os pais devem estar atentos a alguns sinais de alarme que podem sugerir o uso
indevido da Internet:
• Uso excessivo, especialmente em altas horas da noite;
• Uso de chat - salas de conversação - sem moderadores e sobre temas obscuros.
Estas salas de conferência oferecem grande perigo por expor a criança a trocas
não desejadas e imprevisíveis;
• Download  - baixa para o computador  - de grande quantidade de arquivos de
figuras, provavelmente, pornográficas;
• Encontros com pessoas estranhas sem uma explicação razoável.Outras evidências podem levar à suspeita de que uma criança ou adolescente
possa estar sofrendo alguma forma de abuso, aqui entendido como qualquer
forma de maltrato físico, emocional ou sexual - como o aparecimento de:
• Agressividade excessiva;
• Marcas de chupadas e mordidas auto-infligidas;
• Compulsões, fobias e crises "histéricas".
• Distúrbios de fala e de sono;
• Sentimentos negativos em relação a si próprio;
• Faltas à escola;
• Comportamento destrutivo;
• Dificuldade em permanecer sozinho em companhia de algumas pessoas;
• Mudanças súbitas de personalidade;
• Utilização de termos pouco usuais ou novos nomes para partes do corpo.
• Queda abrupta de rendimento escolar;
Lembrar que alguns destes sinais e sintomas ocorrem em outras situações como
em usuários de drogas, por exemplo.
O que os pais podem fazer:
• Ensinar aos seus filhos os riscos que eles correm usando a Internet, ao marcar
encontros com desconhecidos, ao fornecer informações pessoais, ao freqüentar
salas de conversação etc.
• Navegar juntamente com eles, orientando-os sobre aquilo que está acontecendo
e para isso é necessário que se interessar pela Internet e parar de achar que ela é
coisa para a nova geração;
• Manter o computador em uma sala de uso comum da casa, limitando o tempo de
sua utilização;
• Controlar o tempo que seus filhos passam online;
• Verificar por onde seus filhos têm passeado quando estão sozinhos, o que pode
ser feito consultando o histórico de acessos. • Escolher um provedor que ofereça recursos para bloquear áreas não desejadas;
• Conhecer e instalar softwares que permitem controlar e limitar o acesso a sites
inconvenientes.
• Considerar compartilhar o seu e-mail com seus filhos;
Regras básicas para os filhos:
• Nunca fornecer a sua senha para outras pessoas conhecidas ou não;
• Jamais revelar informações pessoais como seu nome, onde você mora ou os
nomes de seus pais e irmãos, o número do seu telefone e qual é sua escola;
• Jamais enviar fotografias suas ou de sua família a desconhecidos através da
Internet;
• Não dar prosseguimento a conversas que o façam sentir-se desconfortável ou
que se tornaram demasiadamente pessoais. Informe seus pais se isto ocorrer;
• Informe-os também se receber comunicações ameaçadoras ou com linguajar
baixo;
• Nunca concordar em se encontrar com alguém que você conheceu através da
Internet sem o conhecimento de seus pais.
• Não aceitar produtos ou oportunidades oferecidos através da Internet.
• Nunca preencher cadastros online  - questionários com informações pessoais -
sem a aprovação de seus pais;
• Lembrar-se de que as pessoas na Internet podem ser qualquer um, em qualquer
lugar e que nem sempre são o que e quem dizem ser;
• Cuide de você e de sua família.
# sugere-se imprimir estas regras e afixá-las ao computador, para que a todo
momento sejam lembradas.


Bullying

Um dos grandes equívocos de nossa sociedade está em acreditar que basta ser criança para ser uma pessoa boazinha. Costumava causar impacto ao afirmar, politicamente incorreto, que as crianças são naturalmente más (parodiando Hobbes e seu Estado Natural). São elas que agridem os menores, pisam em formiguinhas, tocam fogo no rabo do gato, são egoístas ao extremo, querem tudo para elas próprias, judiam dos mais fracos e participam do fenômeno conhecido por Bullying. De fato, isso não é ser bonzinho (veja Violência e Agressão da Criança e Adolescente).

O termo Bullying, que não existe na língua portuguesa. Ele significa formas de agressões intencionais repetidas por estudantes, que causam angústia ou humilhação a outro. Compreende, pois, todas as formas de atitudes agressivas, intencionais e repetidas, que ocorrem sem motivações evidentes, adotadas por um ou mais estudantes contra outro(s), causando dor e angústia, e executadas dentro de uma relação desigual de poder. O Bullying se encontra presente, possivelmente, em variadíssimas situações, tais como, colocar apelidos, ofender, zoar, gozar, sacanear, humilhar, discriminar, excluir, isolar, ignorar, intimidar, perseguir, assediar, aterrorizar, amedrontar, tiranizar, dominar, agredir, bater, chutar, empurrar, ferir, roubar, quebrar pertences, etc.

Segundo artigo de Aramis Antônio Lopes Neto e Lauro Monteiro Filho o Bullying pode se manifestar de quatro formas diferentes: verbal, físico, psicológico e sexual. Referem pesquisas onde a maioria dos alunos vitimados por Bullying destaca como a situação mais freqüente a identificação por apelido com maldade e com propósitos de humilhação, seguido do roubo de pertences (39%), a indução ao uso de drogas (30%) e os ataques violentos (25%).

Normalmente existem três tipos de pessoas envolvidas nessa situação de violência: oexpectador, a vítima e o agressor. O expectador é aquele que presencia as situações de Bullying e não interfere. Sua omissão deve-se por duas razões principais: por tornar-se inseguro e temeroso e por isso sentir medo de sofrer represálias ou, ao contrário, por estar sentindo prazer com o sofrimento da vítima e não tem coragem de assumir a identidade de agressor. Os expectadores do primeiro tipo (os mais medrosos), apesar de não sofrerem as agressões diretamente, podem se sentir incomodados com a situação e com a incapacidade de agirem.

A vítima, por outro lado, costuma ser a pessoa mais frágil, com algum traço ligeiramente destoante do modelinho culturalmente imposto ao grupo etário em questão, traço este que pode ser físico (uso de óculos, alguma deficiência, não ser tão bonitinho...) ou emocional, como é o caso da timidez, do retraimento...

Vítima costuma ser uma pessoa que não dispõe de habilidades físicas e emocionais para reagir, tem um forte sentimento de insegurança e um retraimento social suficiente para impedí-la de solicitar ajuda. Normalmente é uma pessoa retraída e com dificuldades para novas amizades ou para se adequar ao grupo. A vítima é freqüentemente ameaçada, intimidada, isolada, ofendida, discriminada, agredida, recebe apelidos e provocações, tem os objetos pessoais furtados ou quebrados. No ambiente familiar avítima apresenta sinais de evitação, medo ou receio de ir para escola, mas, não obstante, como dissemos, não procura ajuda dos familiares, professores ou funcionários da escola.

Tudo isso acaba fazendo com que a vítima troque de escola freqüentemente, ou pior, que abandone os estudos. Nos casos mais graves a vítima contumaz acaba desenvolvendo uma severa depressão, podendo chegar a tentar ou cometer o suicídio.

Os agressores no Bullying são, comumente, pessoas antipáticas, arrogantes e desagradáveis. Alguns trabalhos sugerem que essas pessoas vêm de famílias pouco estruturadas, com pobre relacionamento afetivo entre seus membros, são debilmente supervisionados pelos pais e vivem em ambientes onde o modelo para solucionar problemas recomenda o uso de comportamento agressivo ou explosivo.
 Descrição: Bullying2

Há fortes suspeitas de que as crianças ou jovens que praticam o Bullying têm grande probabilidade de se tornarem adultos com comportamentos anti-sociais, psicopáticos e/ou violentos, tornando-se, inclusive, delinqüentes ou criminosos. Normalmente o agressor acha que todos devem atender seus desejos de imediato e demonstra dificuldade de colocar-se no lugar do outro.

O Bullying é um problema mundial, é um problema do ser humano imaturo, logo, deve acompanhar a humanidade desde a pré-história. É um fenômeno encontrado em toda e qualquer escola, não estando restrito a nenhum tipo específico de instituição: primária ou secundária, pública ou privada, rural ou urbana, em qualquer país.


Descrição: Bullying3


Os meninos estão mais envolvidos com o Bullying com uma freqüência muito maior, tanto como autores quanto como alvos. Já entre as meninas, embora com menor freqüência, o Bullying também ocorre e se caracteriza, principalmente, como prática de exclusão ou difamação

De acordo com Rosana Del Picchia de Araújo Nogueira e Kátia A Kühn Chedid (veja), o conceito de Bullying pode também ser aplicado na relação de pais e filhos e entre professor e aluno, citando como exemplos, aqueles adultos que ironizam, ofendem, expõe as dificuldades perante o grupo, excluem, fazem chantagens, colocam apelidos preconceituosos e têm a intenção de mostrar sua superioridade e poder, usando deste comportamento freqüentemente.

De acordo ainda com artigo Bullying na Escola e na Vida, de Nogueira e Chedid, citado acima, em Portugal um em cada cinco alunos (22%), de 6 a 16 anos, já foi Vítima deBullying na escola, sendo o local mais comum de ocorrência de maus-tratos os pátios de recreio (78% dos casos) e os corredores (31,5% dos casos). Na Espanha a incidência do Bullying se situa em torno de 15% a 20% nas pessoas em idade escolar, quase o mesmo observado em Portugal e em outros países da Comunidade Européia.

Muitas crianças, Vítimas de Bullying, desenvolvem medo, pânico, depressão, distúrbios psicossomáticos e geralmente evitam retornar à escola. A fobia escolar geralmente tem como causa algum tipo dessa violência. Outras crianças que sofremBullying, dependendo das características de suas personalidade e das relações com os meios onde vivem, em especial entre suas famílias, poderão não superar totalmente os traumas sofridos na escola. Elas poderão crescer com sentimentos negativos e com baixa autoestima, apresentando sérios problemas de relacionamento no futuro. Poderão, outrossim, assumir um comportamento agressivo, vindo a praticar o Bullying no ambiente sócio-cupacional adulto e em casos extremos, poderão tentar ou a cometer suicídio.

Raymundo de Lima, citando Lopes Neto (veja), observa que os casos de suicídio acontecem, em geral, nas pessoas que não suportaram a grande pressão psicológica doBullying. Observa ainda o pior efeito da pressão sofrida nos casos de Bullying seja, talvez, fazer a Vítima se sentir absolutamente inexpressiva, insignificante, abjeta, desprezível, enfim, uma agressão que combina fazer de conta que a Vítima não existe, aniquilando totalmente a autoestima, suprimindo, inclusive, as condições para ela desabafar com alguém.